Algumas semanas após os graves incidentes que ocorreram no Uíge, quando a UNITA comemorava o aniversário de Jonas Savimbi, morto em combate em 2002, a CEAST entende ser preciso existir um mecanismo de reacção rápida para evitar que se repitam.
"Apelamos aos partidos políticos, em especial ao MPLA e à UNITA, que estabeleçam nas capitais provinciais, nos municípios e nas comunas, mecanismos céleres e funcionais de resolução de conflitos", escreve a CEAST em comunicado emitido esta segunda-feira, 31.
Os prelados católicos escrevem neste documento que os angolanos, desde o fim da guerra, há 24 anos, têm vindo a reforçar os laços de amizade, embora "mais lentamente do que muitos desejam", sendo, por isso, "o passado mais sombrio que o presente" em Angola.
Face a esta evolução positiva, apesar de lenta, esta organização católica com um papel de cruzeiro na busca da reconciliação e da paz ao longo de décadas, diz que a ocorrência de incidentes, violência e intolerância, numa clara referência ao que aconteceu a 08 de Agosto no Uíge, ou no Cazombo, a 24, "causam profunda preocupação".
Considerando que esse tipo de incidentes "abalam o próprio sentido de Nação" que se pretende construir, sublinhando que não são únicos, havendo outros sem que tenham merecido a mesma atenção mediática.
"Estes acontecimentos chocantes tornam clara a urgência de eliminar as suas causas e prevenir que se repitam", aponta a CEAST, sublinhando a repulsa com que a Igreja Católica viu tais momentos acontecerem.
Esta solução preconizada pela CEAST tem provadas dadas no passado das grandes potências mundiais, sendo conhecido o mecanismo de contacto rápido entre os Estados Unidos e a então URSS como "telefone vermelho", mesmo que fosse apenas um fax, um telegrama ou uma chamada de voz...
O que os bispos procuram afirmar é que não há nada que impeça que o mesmo mecanismo funcione a um nível mais comunitário, provincial ou mesmo nacional num país como Angola.
