Todos os dias, a rotina dos alunos da Escola Descartável é marcada pela indignidade. Estudar transformou-se num perigo real para a saúde: entre moscas e o odor insuportável de uma enorme lixeira junto ao estabelecimento de ensino, centenas de crianças tentam aprender o "bê-á-bá" num cenário que viola os seus direitos básicos e ameaça a saúde pública. A denúncia do mau estado técnico da escola e da lixeira junto da instituição parte dos próprios professores, moradores daquela circunscrição e de encarregados de educação.

Localizada numa zona de grande densidade populacional, o estabelecimento de ensino é conhecido naquela região como Descartável, por ser feita de salas de "serpango" (termo antigo e muito informal usado em Angola para descrever construções feitas com chapas, painéis finos de madeira ou contraplacado prensado). A cada dia, segundo a direcção, a escola está em "ruína técnica". As casas de banho encontram-se em péssimas condições, o que faz muitas crianças fazerem as necessidades ao ar livre ou mesmo dentro das instalações sanitárias degradadas, correndo o risco diário de contrair doenças e levá-las para casa.

Das oito salas de aula, quatro estão completamente inoperantes, porque as chapas laterais estão podres e enferrujadas. A tinta verde e branca (cores da escola) descascou-se por completo, as janelas perderam os vidros e o tecto falso cedeu, estando prestes a desabar sobre as carteiras. As quatro salas que ainda resistem, conforme a nossa constatação, funcionam com sobrelotação extrema.

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