De acordo com o astrofísico, que falava à Angop sobre a sua participação no Eclipse Total do Sol do Uganda, a partir desta imagem podem ser feitos
muitos estudos, dependendo de cada grupo científico e a especialidade dos integrantes que a estiverem a analisar.
Na referida imagem, que ilustra a coroa interna do sol, concretamente a parte mais encostada ao bordo da lua, pode-se ver muita actividade solar e há uma nuvem de plasma que se destaca do astro, o que fará com que os cientistas estudem o próprio plasma, a heliosismologia, fotometria, campo magnético solar tendo em conta a nuvem espelhada na fotografia.
Por outro lado, não era previsto haver uma nuvem de plasma tão destacada do sol daquela forma, daí ser necessária a revisão das equações para ver se se enquadram nos padrões, caso contrário criar-se-ão, talvez, novas variáveis para se poder compreender o comportamento do sol como a imagem mostra.
Para si, há outros fenómenos que podem ser estudados a partir da imagem do bordo do sol, além do plasma, como por exemplo, do lado esquerdo da imagem pode-se ver a coroa solar onde há "um jacto de vácuo, que é motivo também de muito estudo e leva até mesmo alguns anos para se obter resultados palpáveis da imagem".
Segundo o astrofísico, este eclipse do sol é de certa forma especial com várias características, uma delas é que o ciclo da actividade solar está a atingir o seu máximo, daí a primeira grande preocupação científica, a outra é por ter sido híbrido, isto é, começa com eclipse anular do sol e mais tarde se transformou em total.
Ao se transformar em eclipse total, acrescentou, teve uma duração muito curta, ou seja, na região que fazia parte o astrofísico angolano o fenómeno teve um tempo de 19 segundos, enquanto em todo seu percurso em terra não foi mais de 25 segundos.
Na República do Gabão, por exemplo, foi de 25 segundos e até a sua chegada no Uganda foram 19 segundos, o que constitui um tempo reduzido para se fazer um trabalho refinado e que possa ser digno nos anais da ciência, porquanto um milésimo de segundos de movimento é suficiente para estragar todo
trabalho - explicou.
Neste tempo, disse, foi possível filmar e fazer algumas fotografias pela equipa
formada por um egípcio, ele próprio e cinco franceses, que aplicaram as suas experiências nas várias bandas do espectro electromagnético. No final, a equipa foi unânime em seleccionar a foto do engenheiro Jaíme Vilinga.
Esta imagem foi submetida em primeira instância ao Centro Nacional de Investigação Científica Francês, onde foi sugerida que fosse entregue à NASA para estudos científicos, que a publicou na sua página oficial a 7 de Novembro deste ano.

