O facto do suposto assalto à residência da mulher ter sido sem recurso ao arrombamento das portas e janelas chamou atenção da Polícia Nacional e do Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Mbanza Congo.

Passados setes dias sobre o assassinato da jovem Charlene Lusevikueno António, recém-licenciada pela Universidade 11 de Novembro no curso de gestão, as autoridades policiais detiveram dois suspeitos implicados na morte da jovem de 29 anos.

Trata-se da própria irmã, de 18 anos, que vivia com a Charlene António na mesma residência, que afinal mantinha uma relação amorosa, secreta, com o cunhado, marido da vítima.

Segundo o SIC-geral, a versão contada pela irmã de Charlene Lusevikueno António, de que teria sido abusada sexualmente e agredida não os convenceu, porque a própria muitas vezes se contradisse em interrogatório.

Catarina António de 18 anos foi para Mbanza Congo a convite da própria irmã para terminar o ensino médio no curso de enfermagem, mas posta naquela cidade iniciou uma relação amorosa com o cunhado, de 54 anos, director provincial dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria do Zaire.

Conforme dados a que o Novo Jornal teve acesso sobre o assunto junto da família, o cunhado não foi ao funeral da mulher porque decidiu estar junto da cunhada que já se encontrava sob custódia do SIC.

Segundo a família, o marido pedia constantemente ao SIC para ter vários minutos de conversa particular com a jovem amante, facto que levou os investigadores do SIC a desconfiarem.

O superintendente-chefe Sarafim Coelho, director adjunto do SIC-Zaire, disse aos jornalistas que a jovem mentiu às autoridades e inventou histórias que nunca existiram.

Segundo o SIC, Catarina António confessou o crime às autoridades depois de lhe serem apresentadas as evidências do rasto do crime hediondo que praticou.

Conforme o SIC, a jovem confessou ter antes drogado a irmã, num chá que lhe ofereceu na noite anterior, esfaqueando-a depois até à morte para impedi-la de contar ao irmão que ela lhe teria roubado dinheiro.

Ao Novo Jornal, a família e investigadores do SIC dizem não acreditar na versão de Caterina António de que matou a irmã para impedir que contasse que teria subtraído o dinheiro do irmão.

Fontes familiares e do SIC asseguram ao Novo Jornal que Caterina António, a principal suspeita, esteja a encobrir o marido da irmã ou outra pessoa no caso.

Sarafim Coelho, director adjunto do SIC-Zaire, confirmou a detenção do marido de Charlene Lusevikueno António.

Quando questionado sobre as razões da prisão, este superintendente-chefe do SIC no Zaire não aceitou pormenorizar ao detalhe, alegando ser ainda prematuro avançar dados a respeito do suspeito.

A jovem Charlene Lusevikueno António foi morta, grávida de oito meses, no interior da sua residência, no bairro Sagrada Esperança, vulgo "Kazanga", no município de Mbanza Congo.