Segundo a agência France-Presse, o Serum Institute of India (SII) planeia enviar, este ano, 25 milhões de doses da vacina, de baixo custo, denominada R21 e desenvolvida com a Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Outros dois países, Uganda e Nigéria, estão a planear a introdução da vacina no final do ano.

"Oferecemos estas vacinas ao continente africano a quatro dólares ou menos no primeiro ano. E à medida que aumentarmos a produção, poderemos baixar o preço um pouco mais", disse o director executivo da SII, Adar Poonawalla, citado pela agência France-Presse, anunciando que a produção pode chegar a 100 milhões de doses por ano.

O envio das vacinas deverá começar no final de Abril e a distribuição terá início em Maio e Junho, segundo o director de investigação e desenvolvimento da SII, Umesh Shaligram.

A R21 foi recomendada em Outubro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para "prevenir a malária em crianças em risco de contrair a doença". A Unicef e Aliança Global de Vacinas (Gavi) vão ser as principais organizações a adquirir e a distribuir as vacinas.

Em 2021, outra vacina, a "RTS,S", produzida pelo gigante farmacêutico britânico GSK, tornou-se a primeira vacina a ser recomendada pela OMS para prevenir a malária em crianças em áreas onde a transmissão da doença é moderada a alta.

As duas vacinas têm taxas de eficácia semelhantes, de cerca de 75%, quando administradas nas mesmas condições.

A malária é a doença que mais mata em quase todos os países da África Subsaariana, como é disso exemplo Angola, onde segundo a Organização Mundial de Saúde, está por detrás de 40% das doenças e 42% das mortes no país.

Na génese da situação negativa de Angola está, ainda segundo esta agência da ONU, a elevada transmissão, o "acesso limitado e disponibilidade de serviços de saúde ao alcance das comunidades, recursos inadequados, resistência aos insecticidas e a ameaça das alterações climáticas, que perturbam significativamente os esforços eliminação desta doença".

Face a este quadro, os especialistas apontam para a urgente procura de soluções que permitam salvar milhares de vidas. Segundo a ministra da Saúde, tal pode acontecer também em Angola em breve.

No continente africano são registados anualmente perto de 200 milhões de casos da doença dos quais resulta um número a rondar as 400 mil mortes anuais.

Por isso, a OMS e a GAVI insistem que a par da vacinação os Governos devem manter o esforço nos programas de redução de casos tradicionais, como o uso intensivo de mosquiteiros, enquanto a ciência não resolve o problema da relativamente baixa eficácia deste medicamento.