"Das 46 toneladas de milho que estavam previstas, só colhi 10 toneladas e das 40 previstas para a batata apenas tiramos seis toneladas. Infelizmente, os prejuízos são enormes porque perdemos os adubos aplicados também e estes são muito difíceis de conseguir", lamenta o agricultor Frederico Benjamim Balaco, da Fazenda Balaco.

O dono da fazenda de 27 hectares acrescentou que já tem a sua máquina e que só precisa de apoio dos responsáveis da agricultura da região para ter acesso aos fertilizantes porque no mercado estão a preços incomportáveis, 24 mil kz o saco de 50 Kg, enquanto O que é fornecido pelo governo fica no valor de 5 mil kz.

Da Caála, município da província do Huambo, a caravana dp "Andar o País pelos Caminhos da Agricultura e do Desenvolvimento" seguiu até à comuna da Galenga onde encontrou o agricultor Manuel Ngando que perdeu 90 toneladas de repolho, ou seja, uma quantidade que cabe em três camiões e que devia ser transportada para Luanda

"Para produzir o repolho e o milho, tive que fazer empréstimos de adubos e agora tenho de pagar. Infelizmente, não tenho apoio e a única saída é negociar com o fornecedor para vermos se posso pagar na actual época agrícola que está a começar agora", lamenta.

O produtor de milho, repolho e agora feijão tem de devolver 624 mil kz dos fertilizantes que recebeu e tem de pagar mil kz diáriamente a 10 trabalhadores que garantem o funcionamento da fazenda.

Questionado sobre a solicitação de financiamento para apoiar a sua produção, Manuel Ngando, agricultor há mais de 12 anos, explicou que carece de esclarecimento e as condições para poder ter acesso a créditos.

"Com este problema da estiagem, tive de alugar motobomba para poder fazer rega e o aluguer deste material custa diariamente 5 mil kz. Já com um financiamento podia comprar os meus próprios materiais, mas como não sei como funciona prefiro aguentar mesmo assim", explica.

Adriano Júlio é outro produtor da Caála de batata-rena e cenoura que lamenta os estragos causados pela falta de chuva e está agora preocupado com a falta de fertilizantes para começar a segunda campanha agrícola.

A caravana de jornalistas deixou hoje a província do Huambo e segue para a Huíla, município de Caluquembe, onde irá visitar a região que conforma o triângulo do milho, área com potencial para a produção de trigo, no Waba (antigo colunato), visita a áreas agrícolas do projecto de Fomento e Ordenamento da Agricultura Familiar na Caconda e, por último, visita a região do Gungue.