Nesta quinta-feira, 23, em Benguela, província que contabiliza até ao momento 56 empresas afectadas, algumas, curiosamente, do ramo agrícola, Paulo Flora lamentou o que considera de primazia para o comércio e indústria, alertando que algumas zonas de produção alimentar registam "fortes desgastes".

Num encontro entre homens de negócios e a equipa económica do Governo angolano, apontou, a título de exemplo, estragos nos vales agrícolas do Cavaco e Dombe Grande.

"São áreas bastante importantes pelo que proporcionam às populações, mas também são palcos de calamidades quase que anualmente", indicou o também presidente interino da Aliança Empresarial de Benguela (AEB), que vê em Isaac dos Anjos, ministro da Agricultura e Florestas, um "guardião na defesa dos interesses" dos agentes da agricultura e pecuária.

Outras preocupações levantadas em relação à linha de crédito de 30 mil milhões de Kwanzas, também para as províncias do Bié, Huíla e Cunene, foram sobre as divisas para a importação de equipamentos e se os incentivos estão apenas para empresários nacionais.

Isto porque, como se verificou no frente-a-frente, uma empresa estrangeira, produtora de sumos, leite e queijo, também apontou constrangimentos decorrentes do transbordo do rio Cavaco.

Em resposta, o ministro de Estado para Coordenação Económica assegurou que não haverá discriminação, nem para os sectores de actividades, nem para a origem do capital das empresas, e ressaltou que os contactos com o Banco de Poupança e Crédito, que vai operacionalizar a linha, ajudarão a dissipar dúvidas.

"Temos um compromisso firme com o tecido empresarial, vocês criam empregos, bens, serviços e ajudam a construir desenvolvimento. Queremos rapidamente repor a capacidade industrial e as matérias-primas em condições bonificadas", avançou Massano de Lima.

Já o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, reafirmou que a taxa de juros está em 7.5 por cento, com a maturidade do empréstimo fixada em 36 meses e o período de carência a depender dos serviços.

"Para os equipamentos, a carência é de 12 meses, ao passo que as matérias-primas recebem 90 dias", explicou o ministro, já depois de ter reforçado que as empresas afectadas terão 90 dias sem obrigação de pagar à Segurança Social, o mesmo período, já no domínio do alívio fiscal, de suspensão de multas e juros fiscais.

Sequelas da seca na equação dos efeitos das enxurradas

Até começar a chover, há pouco mais de um mês, o País vinha debatendo estratégias para a resposta aos efeitos da seca, fenómeno que matou mais de 6.300 cabeças de gado e mil caprinos no Centro Sul, conforme revelou ao NJ o empresário Paulo Flora.

Não foi apenas por aí, até porque o longo período sem chuva destruiu campos agrícolas, mas foram sobretudo as mortes dos animais que "intrometeram" esta temática num debate reservado aos prejuízos das cheias.

Foi o representante do Grupo Técnico Empresarial (GTE), Manuel Sumbula, a sugerir à equipa económica do Executivo uma reflexão em torno dos reflexos da seca.

"Estamos a falar das chuvas, mas ainda agora, em Fevereiro e Março, chorámos porque Benguela, Kwanza Sul e Namibe não tinham alimentos", avisou.

Sumbula acrescentou que as províncias perderam muito farelo, um bem importante no mundo da pecuária, e referiu que o GTE está à disposição do Governo para discutir o assunto.