Francisco Alegre Duarte discursava no encontro empresarial Angola-França-Portugal, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA) e pela Câmara Bilateral de Comércio e Indústria Angola-França (CEFA), no qual estiveram também presentes a embaixadora francesa, Sophie Aubert, e o ministro dos Transportes angolano, Ricardo Viegas d`Abreu.

Além da excessiva dependência das exportações de petróleo, que "continua a ser uma fragilidade de Angola face a choques externos", há outros factores que têm suscitado preocupação por parte dos agentes económicos, referiu.

"Os atrasos nos pagamentos, a instabilidade cambial, a dificuldade no repatriamento de capitais, a inflação, as taxas de juro praticadas pela banca, ou a falta de mão-de-obra qualificada, são factores que têm tido um impacto negativo nas operações e nos planos de investimento das empresas", disse o diplomata português.

Em Angola existem mais de 1.250 empresas portuguesas e de capital misto, com uma comunidade empresarial de dezenas de milhares de pessoas, gerando fluxos de negócios de milhares de milhões de euros em comércio, investimento e produção local.

Francisco Alegre Duarte afirmou que Portugal e França são os dois parceiros internacionais que "mais e melhor emprego geram neste país".

Frisou a "excelência" do relacionamento entre Portugal e Angola, que se traduz na "fraternidade" da celebração conjunta dos 50 anos do 25 de Abril, assinalados em 2024 com a presença do Presidente, João Lourenço, em Lisboa, e agora com os 50 Anos da Independência de Angola, cujas comemorações oficiais contarão com a representação de Portugal ao mais alto nível, a 11 de Novembro.

O diplomata lembrou que a presença económica das empresas portuguesas se manifesta "em todos os sectores da economia, para além do `oil & gas`", sublinhando que o "desafio crucial" para o futuro da economia de Angola é ir além do petróleo.

A este propósito, destacou que Angola pode contar com os países da União Europeia para ter sucesso, porque não estão no país "apenas para extrair matérias-primas" e sim para construir uma relação baseada na "prosperidade partilhada".

Apontou as vantagens do financiamento europeu que se distingue "pelo valor incorporado nos projectos" e assinalou que, apesar de alguns equívocos na comunicação que geram "ruído e confusão", a concessionária do Corredor do Lobito, Lobito Atlantic Railway, é composta por três empresas privadas europeias, sendo uma delas a Mota-Engil, uma empresa que nasceu em Angola.

"[Quanto aos investimentos efectuados], na ordem já das centenas de milhões de euros -falo de investimentos, não de empréstimos anunciados -, ficaram a cargo das empresas europeias", salientou.

Francisco Alegre Duarte apontou ainda a falta de reciprocidade no que diz respeito à Segurança Social, já que Angola ainda não ratificou a convenção sobre esta matéria.

"Persiste uma falta de reciprocidade nesta matéria, porquanto do lado português já garantimos aos cidadãos angolanos que fazem descontos para a Segurança Social em Portugal -e são já largas dezenas de milhares- o direito legítimo à portabilidade das suas pensões, ou seja, a receberem, fruto dos descontos efectuados ao longo das suas carreiras contributivas, as suas pensões em euros, não apenas em Portugal, mas também em Angola", destacou.

Alegre Duarte reiterou ainda a mensagem central da diplomacia económica portuguesa, frisando que "a melhor forma de Angola atrair novas empresas portuguesas -e isto vale também para as outras europeias - é acarinhar aquelas que já cá estão, e que aqui se mantiveram nos bons e nos maus momentos".