Na quinta-feira, o banco espanhol Caixabank, accionista maioritário do BPI,  foi o primeiro a anunciar que não conseguiu chegar a acordo com a angolana Santoro Finance, de Isabel dos Santos, para uma solução que permita ao BPI cumprir as regras do BCE relativas à sua presença em Angola, mas, cerca de uma hora depois, a empresária garantia que mantinha “total disponibilidade” para dar continuidade às negociações com os espanhóis. 

"Relativamente aos factos relevantes publicados nos passados dias 2 e 16 de Março sobre a sua participação no BPI, o CaixaBank informa que não se conseguiram reunir as condições necessárias para alcançar um acordo com a Santoro Finance", lê-se no comunicado divulgado no portal na Internet do regulador dos mercados financeiros espanhol.

O Caixabank é o principal acionista do BPI, com 44,10% do capital social, apesar de só poder exercer 20% dos votos devido à blindagem dos estatutos, enquanto a Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos, detém 18,58% do capital.

Ao Jornal de Negócios, Isabel dos Santos fez saber, através de alguém próximo deste processo negocial, a sua “total disponibilidade e abertura” para negociar com o CaixaBank, garantindo a empresária  ter em mente “o bem do BPI e do sistema financeiro português”.

A Santoro Finance e o CaixaBank têm até 10 de Abril para chegar a um acordo. Esta data limite foi imposta há mais de um ano pelo Banco Central Europeu, tendo esta instituição monetária previsto a aplicação de coimas ao BPI pelo não cumprimento da directiva, sendo de 162 mil euros/dia aquilo que o banco português terá de pagar até que seja encontrada uma solução.

Todo este processo foi despoletado após o BCE ter retirado Angola da lista de países com supervisão bancária compatível com as exigências europeias.