Num artigo, divulgado pela Comunicação Social, a Ministra da Saúde sublinha que vacinar cada criança é proteger o futuro do país, recordando que Angola foi declarada livre do poliovírus selvagem em 2015, pelo Comité Africano de Certificação da Eliminação do Pólio Vírus Selvagem, mas alertando para os riscos de retrocesso. Sílvia Lutucuta defende, no seu artigo, que a imunização deve ser encarada como uma responsabilidade colectiva, envolvendo famílias, comunidades e instituições, de modo a garantir que nenhuma criança fique excluída do sistema de protecção.
É neste quadro de mobilização nacional para a saúde pública que emerge uma outra preocupação crescente: o aumento dos casos de tuberculose, sobretudo entre crianças, na capital do país. A coexistência de campanhas de grande escala com o agravamento de outras patologias evidencia a pressão sobre o sistema de saúde e a necessidade de respostas integradas e consistentes.
Dados do Dispensário Anti-Tuberculose e Lepra de Luanda indicam que, em média, 10 a 12 pacientes são diagnosticados diariamente com tuberculose, sendo que uma a duas ocorrências correspondem a crianças. Em 2025, foram registados 27.735 casos, dos quais 2.733 em menores, enquanto em 2024 o número de casos pediátricos foi de 2.349, revelando um aumento preocupante. Perante este cenário, especialistas alertam para factores como a desnutrição e a baixa imunidade, sublinhando a urgência de uma resposta firme do Governo para travar a progressão da doença, num contexto em que os desafios da saúde pública permanecem elevados e não admitem adiamentos.
Com o aumento preocupante dos casos de tuberculose a pressionar os serviços de saúde, outra ameaça igualmente grave continua a marcar o panorama sanitário da capital: a malária, responsável por um número alarmante de mortes infantis em Luanda em 2025.
Registou-se na capital, entre Janeiro e Dezembro de 2025, um total de 1.526 mortes por malária, num universo de mais de 1,4 milhão de casos notificados nos 16 municípios que compõem a capital. Os dados sublinham o impacto persistente da doença, sobretudo entre crianças menores de cinco anos, que continuam a representar uma fatia significativa das vítimas mortais. Os dados foram apresentados pela Coordenação Provincial do Programa de Combate e Controlo da Malária.
Entre estas mortes, 210 ocorreram em crianças com menos de cinco anos, revelando a vulnerabilidade particular deste grupo etário perante a malária. A combinação de factores como condições ambientais, dificuldades no acesso rápido aos serviços de saúde e atraso no início do tratamento contribui para a gravidade do quadro epidemiológico. A presença constante da doença mantém pressão elevada sobre as urgências pediátricas e unidades de internamento.
De acordo com as autoridades sanitárias citadas pela Comunicação Social, alguns municípios concentram maior número de óbitos, destacando-se Maianga, com 588 mortes, seguido do Kilamba-Kiaxi, com 502, e o Cazenga, com 230. Estes números mostram que as áreas mais populosas continuam a registar maior incidência, reforçando a necessidade de estratégias de combate adaptadas à realidade de cada município, sobretudo ao nível da prevenção comunitária e do saneamento básico.
A situação descrita reforça a importância de manter e ampliar os esforços de vigilância, controlo e educação sanitária. Apesar de existirem tratamentos eficazes para a malária, a rapidez no diagnóstico, o acesso aos cuidados e a mobilização das famílias continuam a ser factores decisivos para reduzir a mortalidade.
Em síntese, o cenário sanitário de Luanda exige respostas firmes e contínuas: enquanto o país mobiliza esforços para manter a poliomielite afastada e travar o avanço da tuberculose, a malária continua a provocar centenas de mortes infantis, lembrando que a protecção da saúde pública depende de acção sustentada e de prioridades claras.
*Mestre em Linguística pela Universidade Agostinho Neto
Saúde pública e vigilância sanitária
Arrancou, final de Março, a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite em Angola, mobilizando 58.849 técnicos em todo o país. O lançamento oficial teve lugar no município de Belas, em Luanda, com a meta de vacinar milhões de crianças menores de cinco anos, através de equipas que actuaram porta a porta e em postos fixos. A iniciativa surgiu como resposta à necessidade de conter a circulação do vírus e reforçar a protecção infantil, num contexto que a vigilância sanitária continua a ser determinante.

