O responsável falava esta quinta-feira, 05, à margem do Conselho de Gestão Integrada dos Recursos Biológicos e Aquáticos que decorreu em Luanda.

"Registamos alguns constrangimentos nomeadamente, avarias nas embarcações, a par da existência de muitos armadores que não conseguem adquirir materiais de reposição no mercado angolano. Os materiais têm que vir de fora e no momento em que nos encontramos em termos de cambiais têm sido os nossos maiores constrangimentos", salientou.

Esses dados, no entender de José Gomes da Silva, confirmam o bom momento do sector piscatório de Benguela, que ainda assim detém uma capacidade de transformação de 700 toneladas, o que permite aprovisionar quatro mil toneladas de pescado.

"Em termos de transformação em conservas, este é um elo quebrado na nossa cadeia de produção há muitos anos. A maioria das empresas de conservas de peixe estão paralisadas, ou seja, a produção de peixe seco a nível industrial é inexistente, mas subsiste o lado artesanal onde a produção anual ronda as 12 mil toneladas", sublinhou.

Refira-se que a região produz desde 2011 farinha de peixe, numa fábrica instalada no município da Baía Farta, com indicadores de seis toneladas por hora. Tem mais de 50 embarcações industriais e semi-industriais e 1.050 outros pequenos barcos artesanais, 65% dos quais estão equipadas com sistema de monitorização e GPS.

Já a província do Namibe, antigo berço do sector pesqueiro, registou um nível de produção acima das 30 mil toneladas no primeiro semestre do ano em curso, antevendo-se que com o consolidado no quarto trimestre ainda em falta, supere as previsões do ano transacto, conforme deu a conhecer o director provincial das Pescas, Isaac Cativa Herculano.

"Pensamos que haverá bons resultados. Quanto às capturas, não estamos mal pois, apesar de algumas baixas ocorridas sobretudo no terceiro trimestre comparativamente ao ano 2014 devido a algumas alterações climáticas, fundamentalmente consideramos ainda assim, que as capturas são satisfatórias, fundamentalmente uma diferença numérica de cerca de nove mil toneladas a menos no período de 2014", disse.

Detentora de vários centros de salga e seca em funcionamento sob tutela de duas associações de mulheres processadoras de pescado, com cerca de 60 integrantes no município do Tômbwa e idêntica cifra no Namibe, a produção de peixe seco até ao terceiro trimestre atingiu cerca de 160 toneladas.

Contudo, a proliferação de focas na região, tem estado a impedir de alguma forma a actividade da pesca, com a faina a ser sucessivamente prejudicada com o surgimento desses mamíferos no interior das artes de pesca, molestando os operadores locais, assinalou o responsável.

No Kwanza-Sul, segundo dados a que o NJ teve acesso, o centro de salga e seca de pescado de Porto Amboim produziu, de Janeiro a Setembro deste ano, 82 toneladas através de um secador solar. A porta-voz do sector e directora nacional das Pescas, Maria de Lourdes Sardinha, ao avaliar de forma preliminar o desempenho das pescas a nível do País, considerou que o mesmo está no rumo certo.

"Neste momento estamos no bom caminho. O sector das pescas trata de recursos vivos que são variáveis e uma boa gestão implica também conhecimento das variabilidades destes recursos em termos de biomassa", afirmou.

"Pensamos que tivemos um bom ano, dado que as capturas foram boas e de acordo com as metas inicialmente estabelecidas", frisou Maria de Lourdes Sardinha.

O Conselho Integrado dos Recursos Biológicos e Aquáticos debateu o estado da frota, prestou uma informação sobre o tipo de artes de pesca em uso a nível de Angola e as estatísticas do sector.

Hoje (sexta-feira), decorre o Conselho Consultivo do Ministério das Pescas sob orientação da titular do pelouro, Victória de Barros Neto, visando avaliar o grau de cumprimento das actividades desenvolvidas até ao terceiro trimestre deste ano e perspectivar as acções a serem levadas a cabo em 2016.

"Iremos passar em revista as medidas que o Instituto de Investigação Marinha tem como proposta para gestão, apresentaremos trabalhos sobre o estado do ambiente dos recursos pesqueiros e, a partir daí, estabelecer as metas de gestão para 2016", destacou a porta-voz.