Por detrás desta hecatombe nos mercados internacionais energéticos, que segue em paralelo com desastre semelhantes nas bolsas mundiais, está a guerra de tarifas declarada pelo Presidente dos EUA a quase todas as economias do mundo.

E à qual a China, principalmente, mas também a Europa, a Índia, o Brasil, entre outros, já estão a retaliar ou a preparar o contra-ataque, o que deixou os mercados em pânico.

Assim, depois de atingir os 64,64 USD, o barril de Brent, referência principal para as ramas exportadas por Angola, estava, perto das 14:00, desta sexta-feira, 04, nos 65,26 USD, ainda assim, a perder mais de 6.5% depois de ter descido quase 8% durante a sessão.

Além desta guerra de tarifas, o barril está ainda a ser esmagado pelo retomar parcial da produção pela OPEP+, injectando desta o início do mês mais 135 mil bpd, gerando um aumento ainda mais saliente da oferta face à procura e perante esta crescente desconfiança e medo resultante da guerra declarada pelo Presidente Donald Trump ao mundo.

Como Luanda olha para este cenário global?

O actual cenário internacional, que não era tão dramático há anos, tende a empurrar os preços para longe do valor estimado no OGE 2025, que é de 70 USD.

Essa a razão pela qual Angola é um dos países mais atentos a estas oscilações, devido à sua conhecida dependência das receitas petrolíferas, e a importância que estas têm para lidar com a grave crise económica que atravessa, especialmente nas dimensões inflacionista e cambial.

Isto, porque o crude ainda responde por cerca de 90% das exportações angolanas, 35% do PIB nacional e 60% das receitas fiscais do país, o que faz deste sector não apenas importante mas estratégico para o Executivo.

O Governo deposita esperança, no curto e médio prazo, de conseguir o objectivo de aumentar a produção nacional, actualmente perto dos de 1,1 mbpd, gerando mais receita no sector de forma a, como, por exemplo, está a ser feito há anos em países como a Arábia Saudita ou os EAU, usar o dinheiro do petróleo para libertar a economia nacional da dependência do... petróleo.

O aumento da produção nacional não está a ser travada por falta de potencial, porque as reservas estimadas são de nove mil milhões de barris e já foi superior a 1,8 mbpd há pouco mais de uma década, o problema é claramente o desinvestimento das majors a operar no país.

Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada e prevista redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente pouco acima dos 1,1 milhões de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008.

Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país.

A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.