A Food Forward SA estima, segundo o seu director, Sandy Du PLessis, citado pelo site Africa News, que todos os meses 30 milhões de sul-africanos, entre uma população global de 59 milhões, vivem em insegurança alimentar, o que conduz à constatação de que este país observa hoje um "crise alimentar séria".
"Estamos a viver um período de crise alimentar na África do Sul e estamos a encontrar cada vez mais pessoas a sofrer de malnutrição", disse ainda Du Plessis, acrescentando que na província do Cabo Ocidental foram registadas mortes de 12 crianças por fome e tudo indica que muitas mais vão ser registadas".
Esta organização adverte para a possibilidade de a crise alimentar presente pode levar o país, mais uma vez, para um contexto de forte agitação social, instabilidade e ser a faísca para novas revoltas devastadoras que se verificaram nos últimos anos, com destaque para os graves ocorrências de Julho de 2021, de onde resultaram dezenas de mortos, centenas de feridos e muitas propriedades destruídas.
E sublinha que em pano de fundo para os riscos de um tsunami social na África do Sul estão os 30 milhões de pessoas - metade da população do país - que mensalmente vivenciam privações alimentares.
Para ultrapassar este problema, e evitar que o pior aconteça, num país onde o desemprego atinge 34% da população activa, a Food Forward SA quer que o Executivo do Presidente Cyril Ramaphosa dedique as suas melhores energias ao combate à inflação, garanta segurança alimentar e reduza o desemprego no país que mostra, cada vez de forma mais intensa, o descontentamento com a degenerescência do seu tecido económico.
Isto, quando a inflação na África do Sul atingiu um recorde de 13 anos no mês de Junho, propulsionada pelos bens alimentares e preço dos transportes, dois factores com forte impulso negativo na guerra da Ucrânia.
Esta situação, segundo a imprensa sul-africana levou a que cada família, em média, esteja agora a ter de gastar 270 dólares por mês para assegurar a alimentação básica, que é na África do Sul, segundo Mervyn Abrahams, coordenador da Pietermaritzburg Economic Justice & Dignity, organização que pugna pela justiça social, óleo alimentar e farinha de milho.
Em síntese, os preços dos alimentos estão de tal forma elevados que as famílias das classes menos favorecidas deixaram de poder garantir uma alimentação minimamente saudável.
Esta realidade experienciada na África do Sul é, especialmente nos últimos meses, devido aos efeitos colaterais da guerra na Ucrânia, comum à maior parte dos países africanos, embora nalguns, por razões políticas, mantenham o problema fora do conhecimento público, seja controlando os medias nacionais, seja através da perseguição de quem procura denunciar essas mesmas realidades.

