Com décadas de bloqueio em cima, os EUA decidiram agora apertar ainda mais o sufoco à economia cubana, com consequências desastrosas, incluindo falta de energia no país inteiro e até nos hospitais se está a esgotar o combustível para os geradores de emergência.

Este bloqueio foi uma opção política dos Estados Unidos em 1960, em resposta à nacionalização de empresas americanas, após a revolução liderada por Fidel Castro e Che Guevara, e ao movimento estratégico de Cuba de alinhar com a União Soviética, que foi aumentado em 1962, por decreto de John Keneddy, e é-o agora, em 2026, de novo revisto com agravamento.

Estas sanções sufocam a ilha caribenha quase até ao seu desfalecimento económico e, agora, Donald Trump decidiu apertar ainda mais o garrote, levando a Rússia, aliada estratégica de Havana, a desafiar o "no" de Washington.

Com o petroleiro russo a chegar a Cuba, com uma carga vital para perto de 10 dias de combustível para alimentar a ilha de 10 milhões de habitantes, outros países avançam para alargar a brecha para salvar a ilha do sufoco, a China, o Brasil e o México, para já.

Recorde-se que o reforço do aperto do nó que estrangula a ilha foi decido já neste mandato por Donald Trump, ao mesmo tempo que admitia publicamente que estava a preparar uma expedição militar para tomar a ilha de assalto, se esta não lhe fosse entregue voluntariamente, como sucedeu com a Venezuela, no início deste ano.

O Presidente norte-americano chegou mesmo a dizer que para ocupar o cargo de Presidente de Cuba enviaria para Havana o seu secretário de Estado, Marco Rubio, um descendente de cubanos refugiados nos EUA, notando que iria tratar desse "assunto" assim que tiver resolvido o problema do Irão.

Todavia, este petroleiro russo leva como carga mais que petróleo, leva também uma mensagem clara de Moscovo, a de que os EUA não podem nem vão esmagar o seu aliado histórico no Mar das Caraíbas, porque, mesmo a 12 nós de velocidade máxima, o Anatoly Kolodkin chegará a tempo de o recado chegar a Washington.

Cuba perdeu o seu principal aliado regional e fornecedor de petróleo em janeiro, a Venezuela, quando forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a qualquer país que enviasse petróleo a Cuba.

Esta navegação à bolina das sanções norte-americanas já está a chegar a "bom porto", porque, já este Domingo Trump disse que, afinal, a entrega de petróleo russo a Havana não é um problema.

Acrescentou, todavia, que isso resulta de no seu entender, o regime de Havana estar "acabado e sem futuro", e está sem soluções, pelo que "não é mais um ou menos um petroleiro que vai alterar o rumo do seu fim".

"Eu preferia deixar entrar, seja da Rússia ou de qualquer outro, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e de todas as outras coisas necessárias", acrescentou o presidente americano, citado pela Lusa, quando se ficou a saber que não foi iniciada qualquer tentativa de travar o avanço do Anatoly Kolodkin.

Claramente que as autoridades russas não escolheram este navio por acaso, tendo essa escolha um simbolismo evidente, porque Anatoly Kolodkin foi um conhecido jurista russo e especialista em Direito Internacional do Mar, que serviu como juiz no Tribunal Internacional do Direito do Mar entre 1996 e 2008.

E o bloqueio económico a Cuba é visto como ilegal por todas as instãncias jurídicas internacionais, tendo sido sucessivamente, ao longo dos anos, votadas, com maiorias esmagadoras, resoluções na Assembleia-Geral da ONU a exigir o seu fim incondicional, sendo que dos 194 países deste órgão, apenas os EUA e Israel têm consistentemente votado contra, e os Estados Unidos, sendo país com direito de veto no Conselho de Segurança, sempre impediu que este assunto ali fosse levado com sucesso por países que defendem o fim das sanções de Washington a Havana.

Cuba vive há meses sob um rígido regime de racionamento de energia, com gasolina racionada como nunca aconteceu, uma medida imposta pelo Presidente Miguel Díaz-Canel assim que Donald Trump anunciou a sua investida sobre Havana com o propósito de sufocar a ilha e levar à revolta popular de modo a fazer cair o Governo.

Os preços dos combustíveis dispararam, o transporte público foi drasticamente reduzido e algumas companhias aéreas suspenderam voos para Cuba, o país sofreu sete apagões nacionais desde o início de 2024, dois deles neste mês, mas, mesmo assim, a população, revoltada e fortemente agastada, mantém, porém, um apoio maioritário a Diaz-Canel.

Uma das críticas mais comuns entre os analistas próximos de Cuba é que os EUA se contradizem a cada minuto que passa sem que o bloqueio à ilha seja desmantelado, porque um país que vive e apregoa a livre iniciativa, impede há décadas Havana de gerar soluções para os problemas da sua economia.

Baseada no turismo e na agricultura, a economia cubana está no limite há décadas, mas tem conseguido encontrar saídas, nomeadamente após o fim da URSS, de quem recebia apoio vital, com o desenvolvimento do sector turístico que, agora, foi totalmente aniquilado com o aperto do bloqueio de Donald Trump.

Apesar de décadas de aperto como nenhum outro país enfrenta em todo o mundo, Cuba aparece no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), na categoria de país com desenvolvimento humano alto, onde se destaca, segundo o relatório de 2024, os sectores da saúde e da educação.