"Há cada vez mais pessoas infectadas, mais famílias perdem os seus entes queridos e a epidemia torna-se cada vez mais difícil de conter", afirmou a coordenadora de emergências da MSF, Trish Newport, que apela a "uma acção internacional mais firme e coordenada para agir com maior rapidez e melhorar o acesso tanto aos cuidados médicos para o Ébola como a outros serviços de saúde essenciais".

Segundo os dados divulgados esta terça-feira à noite pelo Ministério da Saúde deste país que faz fronteira com Angola, há 753 pessoas em isolamento ou hospitalizadas, enquanto 366 já recuperaram.

O rastreio de contactos na RDC, com mais de 100 milhões de habitantes, continua a ser um desafio, com a cobertura das pessoas expostas ainda nos 67%.

A RDC vê-se a braços com a mais recente epidemia do Ébola, causado pelo raro vírus Bundibugyo, desde Maio e, segundo a Organização Mundial da Saúde, menos 80% dos novos casos provêm de cadeias de transmissão desconhecidas. A taxa de letalidade varia entre 30% e 50% e não existe vacina ou tratamento específico.

A Organização Mundial da Saúde considera "alto" o risco de expansão na África subsariana e "baixo" a nível global

A OMS alertou, na terça-feira que a dimensão da epidemia do vírus Ébola na RDC poderá ser "duas a quatro vezes" superior às estimativas oficiais.

Os protocolos da Organização Mundial da Saúde estabelecem que um surto de Ébola pode ser considerado encerrado se não forem detectados novos casos durante 42 dias consecutivos, o dobro do período de incubação do vírus.

A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração da epidemia que classificou, no passado dia 17 de Maio, como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".

Trata-se da terceira pior epidemia de Ébola da história registada até à data e é a 17.ª a afectar a RDC.

O surto actual fica apenas atrás do que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e de outro que afectou o leste do Congo entre 2018 e 2020 e que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.

O vírus transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.