Reagindo à situação, o antigo combate da FNLA, António Panda André, lamentou a falta de entendimento entre o presidente do partido e alguns membros do Comité Central.

"O partido perdeu o norte. Nas eleições de 1992 tivemos seis deputados, nas de 2008 três deputados, em 2012 dois deputados, e nas de 2017 um deputado. Para onde vai esta organização política?", questionou António Panda André.

Segundo ele, por falta de unidade, cerca de 21 secretários nacionais do bureau político da FNLA e respectivos adjuntos demitiram-se em bloco, por discordarem da forma como o actual presidente, Lucas Ngonda, gere o partido, e, agora, realizaram um congresso.

O analista político Fabião Alegre Muanda não percebe o porquê de um partido histórico estar a viver um momento crítico numa altura em que se aproxima a realização das primeiras eleições autárquicas no País.

"A continuar assim, o partido está em vias de extinção. É pena, sendo a FNLA um dos partidos históricos que jogou um papel preponderante para a libertação de Angola do jugo colonial português", lamentou o analista político.

Para o professor universitário António Toko André, a crise interna desta histórica força política, com início em finais de 1999, continua e vai prejudicar o partido nas próximas eleições autárquicas e gerais.

António Toko André reconhece que o partido está a atravessar a sua pior fase de sempre, citando, como exempro, os resultados de todos últimos quatro pleitos eleitorais.

Na abertura do II congresso extraordinário, na cidade do Huambo, Lucas Ngonda reconheceu que o partido atravessa momentos difíceis e acusou alguns membros do comité central de estar a inviabilizar a sua direcção.

Lucas Ngonda acusou alguns membros do partido de terem desviado carros do partido, adquiridos no âmbito das eleições gerais de 2017, além de outro património material, com destaque para a venda de um imóvel no distrito urbano da Maianga, província de Luanda.

Os "50 por cento+23 membros do comité central" anunciaram ontem, no seu congresso, a destituição de Lucas Ngonda da liderança. O conclave elegeu Ndonda Nzinga, ex-porta-voz do partido.

O estatuto partidário dita que, para além do presidente, 50% +1 do total de membros do Comité em efectividade pode convocar um congresso.

O Comité Central da FNLA é composto por 411 membros.

A crise interna desta histórica força política teve início em finais de 1999, quando a facção liderada por Lucas Ngonda realizou um congresso que nunca foi reconhecido pela ala do falecido Holden Roberto.

O acordo previa a realização de um congresso em 10 meses, prazo que não foi cumprido por Holden Roberto, alegando falta de condições financeiras, o que levou a uma nova divisão interna, que ainda hoje se mantém.