Estas posições foram hoje assumidas ontem, na terceira e última sessão da semana deste julgamento, que decorre no tribunal de Luanda, por Bijaires Segunda e Carlos Simba, que igualmente negaram o teor da acusação do Ministério Público, sustentando que "em momento algum pensaram em atentar contra a vida" do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, afirmou o advogado de defesa, Sebastião Assurreira.

"Os réus continuam a afirmar que foram torturados, foram ameaçados de morte e negam a prática do crime de que são acusados sobre o atentado contra o Presidente da República e associação de malfeitores", disse à Lusa aquele advogado.

Segundo a defesa, os arguidos encontram-se na sua maioria debilitados física e psicologicamente, "fruto das ameaças e torturas em que foram sujeitos durante a detenção na noite de 30 de Janeiro" deste ano e mesmo perante "os magistrados, que não conseguiram fiscalizar a legalidade".

Dos 37 réus, dois estão a ser julgados à revelia e os restantes encontram-se em prisão preventiva na Cadeia Comarca de Viana, arredores de Luanda.

São, na sua maioria, militares desmobilizados das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), braço militar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), durante a guerra civil, que terminou em 2002, e estão a ser acusados de associação de malfeitores, posse ilegal de armas e atentado contra o Presidente da República, na forma frustrada, acto que estaria previsto para a madrugada de 31 de Janeiro.

O julgamento teve início a 02 de Dezembro, com o Ministério Público a sustentar que o grupo "era bastante organizado militarmente" e que "recrutava ex-militares das FALA com o objectivo de atentarem contra o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e tomarem o poder a força com recurso a armas de fogo, catanas e ainda de métodos de feitiçaria".

A defesa afirma que a única mobilização que os acusados fizeram foi para uma manifestação pacífica para reclamar a não-inserção na Caixa Social das FAA, "e não atentar contra o presidente da república".

A polícia apreendeu igualmente na posse dos acusados armas de fogo e catanas.

Apenas seis dos 35 réus detidos foram ouvidos esta semana.

As audições prosseguem na segunda-feira.