Segundo activistas e religiosos ouvidos pelo Novo Jornal, os discursos violentos dos responsáveis políticos em Angola estão a gerar medo e conflitos, quando se aproximam as eleições de 2027.

"Os crimes de intolerância política devem ser punidos e os seus autores responsabilizados criminalmente", disse ao Novo Jornal Tomas Neto Jamba, um dos activistas de HANDEKA, uma organização ligada ao activismo social e à defesa dos direitos dos cidadãos.

"A violência política ameaça roubar as maiores conquistas do povo angolano. Os relatos vindos da província do Huambo sobre actos de intolerância política preocupam-nos", acrescentou.

O líder da Igreja Evangélica de Reconciliação em Angola, Domingos Yabo Pedro, aponta a má gestão do processo de reconciliação nacional e a partidarização da imprensa como principais razões que põem em causa a tolerância no país.

"Os episódios de intolerância política indicam que o ambiente político está a deteriorar-se, ameaçando a frágil convivência democrática conquistada após décadas de conflito", acrescentou.

Nesta quinta-feira, 19, o MPLA na província do Huambo repudiou os actos de agressões físicas contra a militante Ermelinda Luísa Nachivinda, de 48 anos, atribuídos a membros da UNITA.

O secretariado da comissão executiva do comité provincial do MPLA manifesta o seu "veemente e inequívoco repudio" pelos actos protagonizados por um grupo de mais de 100 cidadãos, militantes da UNITA, encabeçado pelo secretário do município do Huambo, Adriano Bacia.

De acordo com a direcção do MPLA, a agressão visou Ermelinda Luísa Nachivinda, de 48 anos de idade, militante do MPLA afecta à secção da Organização da Mulher Angolana (OMA), no bairro Elavoco, sector das Cacilhas, município do Huambo, que acabou por perder a vida.

O secretário provincial da UNITA no Huambo, general reformado Apolo Yakuvela, justificou que a UNITA pretendia realizar uma actividade de massas num dos bairros na cidade do Huambo, na zona do Elavoko, mas antes disso, o seu partido terá comunicado à administração municipal, à polícia e às esquadras da área.

Apolo Yakuvela avançou ter constatado que depois de formalizar os procedimentos administrativos, o MPLA queria inviabilizar as actividades da UNITA.

Apolo Yakuvela assegurou que quando os militantes da UNITA se dirigiram ao local do evento, tinham a segurança dos agentes da Polícia Nacional, mas o que surpreendeu a todos foi a acção de alguns militantes do MPLA, que levaram alguns agentes da corporação a fazer disparos, que viriam a causar ferimentos, tanto de alguns militantes da UNITA como dos do MPLA, de que foi também vítima a mulher conhecida por Madó, afecta à OMA.

Refira-se que, no ano passado, uma delegação da UNITA liderada pelo seu secretário provincial do Huambo, Apollo Yakuvela, foi atacada por um grupo alegadamente de militantes do MPLA no município da Ngalanga, onde se encontravam numa actividade política.

Tudo aconteceu quando esta delegação saía do seu comité em direcção à administração local, tendo sido surpreendida por uma barricada de supostos militantes do MPLA, que o atacaram arremessando pedras, garrafas e outros objectos contundentes, perante o olhar impávido da polícia local face às agressões das milícias do MPLA.