"Enquanto não haver resposta da direcção nacional do património e do Presidente da República, a quem recorremos, não há negociações com o Ministério da Educação para a entrega do edifício da Liga Africana", disse ao Novo Jornal o primeiro vice-presidente da LAASP, Fernando Mota, frisando que a presidente da LAASP não pode agir contra a vontade dos membros.
"A sede da Liga Africana acolheu figuras de proa do nacionalismo angolano que foram pedras basilares na construção de Angola como nação independente. Este edifício é uma lembrança para a futura geração", disse ao Novo Jornal o historiador Fernando Noronha Sampaio.
Segundo o historiador, a Liga Africana serviu de centro de resistência intelectual e cultural contra o colonialismo, formando líderes nacionalistas e preservando a identidade angolana.
O Executivo angolano ordenou o despejo da Liga Nacional Africana da sua sede histórica em Luanda, estabelecendo como prazo o dia 16 de Abril de 2026, para requalificar o edifício, inaugurado em 1953, transformando-o numa escola.
Apesar da ordem e de o Ministério da Educação estar mandatado para assumir a gestão do edifício, os funcionários têm-se mantido a a trabalhar no local e esta quarta-feira, 29, foram surpreendidos por uma delegação do Ministério da Educação, que exigia conversações para a entrega do edifício.
A decisão gerou controvérsia, pois a direcção da Liga Nacional Africana foi condecorada pelo mesmo Presidente em Setembro de 2025.
A LNA foi fundada em 1930 e a sua sede é património histórico-cultural desde 2017.
