Confrontada com as 725 habitações sociais face às mais de 12 mil famílias necessitadas (números oficiais fornecidos há um mês), a vice-governadora provincial para o sector Social e Político, Cátia Cachuco, deu a conhecer a existência de planos de infra-estruturação de espaços para todas as famílias que tencionam abraçar a auto-construção dirigida.
"O que está no Despacho [Presidencial] tinha, sim, de estar mais próximo da população, mas vamos começar por aí, por esta base", anunciou, em conferência de imprensa, horas após os protestos, a vice-governadora.
Ressaltou que 3.391 famílias, com as casas parcialmente destruídas, terão direito a kits compostos por material de construção e bens alimentares. "Recebemos muitos apoios, em matéria de alimentos, vestuário, utensílios domésticos e material de construção, e estas famílias já podem receber, são kits um pouco mais pequenos", disse Cátia Cachuco.
Um mês depois da "revolta" das águas do Cavaco, com 30 mil pessoas cadastradas, o Governo de Benguela salienta que chegou ao fim o período emergencial, anunciando trabalhos de campo para a infra-estruturação de espaços nos municípios de Benguela e dos Navegantes.
"Os voluntários vão construir, mas não em zonas de risco, e outros, mediante os kits, regressam às suas zonas", acrescentou a vice-governadora da província, antes de ter reiterado que "a orientação está para um regresso de forma segura".
Paralelamente ao trabalho de campo, como admitiu a governante, é necessário melhorar as condições nos dois Campismos, nos domínios alimentar, de saúde e no apoio psicológico.
"Precisamos de serviços de especialidade e de melhorar a acção policial por causa dos aproveitadores. Temos parceiros internacionais na gestão dos centros", apontou Cátia Cachuco, que não pôde avançar o número de desaparecidos, uma vez que "prossegue o trabalho da Protecção Civil".
Organizações cívicas em actividade nos bairros mais afectados, utilizando o lema "Habitações Condignas Já", duvidam dos dados oficiais e informam que continuam a desenterrar vários corpos.
Em Março de 2015, na sequência da tragédia que provocou quase 100 mortos, as autoridades anunciaram a construção de 1.500 casas sociais, o dobro do número ora anunciado, mas o projecto não saiu do papel.
As casas seriam para cidadãos em zonas de risco, uma vez que as 300 famílias desalojadas acabaram encaminhadas a urbanização dos Cabrais (Catumbela), ainda hoje clamam por condições sociais básicas.
