O principal partido da oposição reafirma a sua determinação em "combater a hegemonia de grupos que procuram consolidar-se como cultura e fazer da fraude um modo de estar e fazer política".

Segundo o Grupo Parlamentar da UNITA, não está em causa o princípio da maioria, mas sim, a fonte de legitimidade da maioria.

A UNITA recorda que os resultados eleitorais de 2022, oficialmente publicados pela CNE e validados pelo Tribunal Constitucional, atribuem 44% à UNITA e 51% ao MPLA.

"Através de mais uma fraude legislativa, introduzida antes, na Lei da CNE, a UNITA, de 44% dos votos, obtidos oficialmente nas urnas, baixa para 40% e o MPLA de 51% de votos oficialmente obtidos, sobe para 56% , que não obteve nas urnas, sendo esta a base ilegítima considerada para atribuir os mandatos na CNE", refere a UNITA.

O projecto aprovado, na quinta-feira, no Parlament, com 92 votos a favor, 66 votos contra (UNITA) e nenhuma abstenção, alinha a composição da CNE e dos seus órgãos locais com a nova divisão político administrativa.

A resolução fixa as comissões municipais eleitorais com 11 membros e estipula o número de vagas para cada partido, ficando o MPLA com seis, a UNITA com dois e os demais partidos com um membro cada.

Refira-se que o Parlamento angolano tem vindo a aprovar, entre 2024 e 2025, projectos de resolução destinados a ajustar a composição da CNE e dos seus órgãos locais, em conformidade com os resultados das eleições gerais de 2022 .

Nos projectos de resolução aprovados, baseados na representação parlamentar, definiram nove comissários nacionais eleitorais para o MPLA, quatro para a UNITA, o PRS, FNLA e PHA, com um comissário cada.

A UNITA protestou contra a distribuição, defendendo a presença de cinco comissários na CNE em vez de quatro, o que gerou aprovações sem consenso.

Em Julho de 2025, tomaram posse 11 dos 16 comissários (representantes do MPLA, PRS e FNLA).

A UNITA recorreu ao Tribunal Constitucional (TC) em Junho de 2025 para contestar a nova composição da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), considerando a Resolução 118/2024 "injusta, não democrática e ilegal". O principal partido da oposição em Angola contestou o número de comissários indicados e alega falta de consenso, solicitando a reapreciação do acórdão 994/2025, que julgou a sua impugnação improcedente.

A UNITA faz depender a indicação dos seus comissários da resposta a este recurso, visando a transparência das eleições.