Trata-se do "Mercado Esperança", 30 hectares, localizado nos arreadores do Zango 04, também município de Viana, paralisado há 10 anos e reactivado no âmbito do programa de reordenamento do comércio em Luanda.

"Os espaços são entregues a todos cidadãos interessados em exercer o comércio. Aqui, não há cores partidárias", disse ao Novo Jornal, a administradora do mercado Micaela da Costa, que contraria informações que circulam nas redes sociais, segundo as quais os espaços privilegiados são entregues aos militantes do partido no poder.

"Estamos em obediência ao programa de reordenamento do comércio que está a devolver fluidez às ruas e dar boa imagem à capital do País, onde a actividade comercial era feita desorganizadamente. Os interessados têm espaços suficientes para exercer a sua actividade comercial", acrescentou.

No "Mercado Esperança", a prioridade para entrega dos espaços gratuitamente recai sobre as vendedoras ambulantes já devidamente identificadas e cadastradas. Estas, segundo Micaela da Costa, têm 90 dias para exercer as suas vendas sem pagarem a taxa no mercado.

Os não cadastrados podem apresentar uma fotocópia de Bilhete de identidade e fotografias e é-lhes apresentado o espaço, dependendo do tipo de comércio que vai exercer.

"Estamos a sensibilizar as pessoas de que o plano de reordenamento do comércio não pretende extinguir a venda ambulante, uma vez que essa actividade é legal, consagrada na Lei 1/07, de 14 de Maio, Lei das Actividades Comerciais. O plano tem como objectivo organizar a actividade comercial ao nível da província de Luanda, sobretudo em zonas residenciais", acrescentou.

O "Mercado Esperança" existe há 10 anos, mas foi abandonado porque as vencedoras consideravam que estava numa zona isolada.

"Para roupa nova já temos disponibilizadas 820 bancadas, 35 cozinhas económicas, 28 cozinhas de carácter definitivo e seis padarias", informou a administradora do mercado, confirmando que mais de 500 pessoas solicitam diariamente espaços neste mercado.

Na opinião da administradora, o mercado está aberto aos camionistas, armazenistas e importadores de mercadorias, bem como a todos aqueles que quiserem lugares para vender produtos a grosso e a retalho, de forma organizada, fora dos pontos proibidos.

"Os trabalhos de arruamentos, entrega de espaços aos vendedores de comércio interno, roupas e calçados, material de construção civil, lojistas, restauração, armazenistas, decorrem a um ritmo acelerado. Esperamos que todos os que já receberam os seus espaços iniciem as vendas, sob pena de os perderem", apelou.

O "Mercado Esperança" está a receber vendedores ambulantes provenientes dos municípios do Cazenga, Kilamba Kiaxi, Belas, Viana e Luanda.

No Zango 04 ainda é notória a presença de pessoas a comercializar os produtos em passeios, ruas, defronte aos hospitais, o que impossibilita a livre circulação de viaturas.

"Quando apelamos às pessoas para ocuparem lugares neste mercado, muitos ignoraram, depois das medidas do Governo Provincial, vemos gente do Zango preocupada e muitos lugares já estão ocupados por zungueiras cadastradas vindos outros municípios", disse a administradora.

Saneamento básico é prioridade

Em vários mercados da capital do País, a falta de saneamento básico tem representado para os cidadãos uma das principais preocupações. Para o efeito, a administração do mercado já está a trabalhar com as empresas de recolha de resíduos sólidos, com o objectivo de garantir a limpeza no mercado Esperança.

"Para quem corre para os mercados, a higiene e limpeza são factores essenciais para aderir ou não às compras. Tratando-se do novo mercado, a administração está atenta, e, por isso, a limpeza continuará a ser acautelada", diz Micaela da Costa, salientando que o mercado será modelo e os produtos não serão vendidos no chão com o lixo à volta.

Segundo ela, a má higiene no mercado pode também representar riscos para a saúde dos clientes e prejudicar a imagem do estabelecimento.

Os cidadãos que já conseguiram os seus espaços de venda neste mercado defenderam a criação de um posto de polícia para se conter a onda de crimes que se registam em vários estabelecimentos comerciais.

Que o Governo seja escravo das suas palavras

Obrigar os vendedores de rua a exercer a sua actividade dentro da legalidade é uma aposta do Governo Provincial de Luanda. As vendedoras que iniciaram as suas actividades neste mercado esperam que o Executivo "seja escravo das suas palavras".

"Foram encerrados armazéns em vários pontos da cidade de Luanda, fonte de abastecimento do negócio da maioria das vendedoras ambulantes. Estamos em obediência às ordens das autoridades, não queremos ver uns no mercado outros a zungar na rua", observa a vendedora Eva José, que era zungueira no distrito urbano da Estalagem.

De acordo com esta zungueira, algumas ruas da capital continuam repletas de vendedores ambulantes, por isso, o Governo da Província de Luanda deve repor a ordem para todos exercerem as suas actividades nos mercados.

"Se querem pedir a colaboração de todos os cidadãos, facilitando o trabalho das autoridades para colocar as zungueiras nos mercados, o Governo da Província de Luanda não pode permitir uns no mercado outros na zunga", acrescentou Eva José, frisando que caso isso venha acontecer, muitos acabarão outra vez por abandonar os mercados oficiais.