Nas primeiras palavras, litúrgicas, o Papa voltou a falar em português. E foi para falar da longa guerrra civil e da divisão que provocou entre "irmãos".

"É preciso olhar para além da dor", afirmou o Papa, defendendo um caminho de reconstrução e reconciliação.

Para o Papa Leão XIV, os problemas sociais e económicos , assim como a pobreza que o País enfrenta, exigem uma Igreja que saiba reavivar a esperança perdida.

"Angola precisa que o ódio desapareça, que a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha", afirmou. E, voltando a dirigir-se à juventude, defendeu que "só assim será possível um futuro de esperança, sobretudo para os muitos jovens que a perderam".

No contexto desta missa o Papa leu ainda uma mensagem destinada além fronteiras, regozijando-se pelo cessar-fogo entre o Líbano e Israel, apelou para que o diálogo conduza à paz no Médio Oriente, numa referência ao conflito entre os EUA/Israel e o Irão, e lamentou os recentes ataques russos à Ucrânia dos quais resultaram diversas vítimas.

Já no sábado, perante autoridades nacionais, corpo diplomático e organizações da sociedade civil, Leão XIV apontou como caminho levar mais alto a voz dos homens e mulheres de boa vontade que escolhem a paz e a reconciliação ao invés da exploração e da violência.

"Felizes os pacificadores", disse o Papa, no sábado, primeiro dia da sua visita a Angola, que falou a seguir a uma curta intervenção do Presidente João Lourenço, destacando ainda que a maior riqueza de Angola são aqueles que procuram o caminho do bem.

Leão XIV, que falou de Angola como um "mosaico muito colorido", instou os responsáveis pela vida pública a acreditarem na riqueza multiforme do País, "sem temer divergências nem sufocar os sonhos dos jovens e a sabedoria dos idosos".

"Os déspotas e os tiranos dos espíritos pretendem tornar as almas passivas e os ânimos tristes, propensos à inércia, subjugando-os ao poder. Na tristeza ficamos à mercê dos nossos medos e fantasmas, refugiamo-nos no fanatismo, na submissão, no ruído mediático e na miragem do ouro, no mito identitário, no descontentamento ou sentimento de impotência", afirmou o Papa, que defendeu a alegria de quem contribui para o bem comum, "que "sabe traçar trajectórias mesmo nas regiões mais sombrias de estagnação e angústia".

"Juntos, podeis fazer de Angola um projecto de esperança", disse Leão XIV, que se dirigia aos mais jovens, advogando "um País livre de escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias".

No seu discurso, o Papa defendeu igualmente que é preciso eliminar os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, sobretudo nas periferias urbanas e nas regiões rurais mais remotas, "onde pulsa a vida do povo e se prepara o futuro da Nação".

Esta tarde, o Papa ruma à vila da Muxima, onde milhares de fiéis aguardam a sua chegada junto à pequena capela erguida em finais do século XVI nas margens do Rio Kwanza, a cerca de duas horas de carro de Luanda.

O espaço está em obras de requalificação e no local de perigrinação de milhões de católicos angolanos está a ser construída uma grande Basílica, que deverá ficar pronta em 2027, com 4.600 lugares sentados e uma praça para 200 mil peregrinos.