Quando o El Niño se manifesta de forma mais violenta, que de forma simplificada é fruto de um aumento maior do calor nas águas do Pacífico, o que aquece a atmosfera provocando ventos quentes mais agressivos que acaba por alterar o clima global, o sul de Angola tende a sofrer secas mais severas e prolongadas.

E este ano, como o confirmam as mais relevantes organizações internacionais que vigiam o clima em todo o mundo, o El Niño é um dos mais graúdos de sempre, o 5º desde que há registo, o que, se as previsões se confirmarem, na África Austral haverá menos chuva com episódios potencialmente graves de chuvas intensas e inundações descontroladas nalguns locais, especialmente na costa do Índico.

Como de costume, no sul de Angola, com destaque para as províncias do Cunene, Huíla, Namíbe e Kuando Kubango, espera-se que o impacto se traduza por menos chuva, maior aridez e redução nas culturas que dependem especialmente da pluviosidade.

Para já, no Zimbabué, Malawi e Botsuana e Zâmbia vivem períodos extremos de seca, com os respectivos governos a declararem situação de emergência nacional para agilizar os mecanismos locais de resposta e de mais facilmente obterem ajuda externa.

Até ao momento, há registo de problemas em quase todos os países, nalguns casos opostos, com chuvas violentas e ciclones, como sucedeu já no este da África do Sul, Moçambique ou Madagáscar.

Segundo as autoridades nacionais, o sul de Angola tem estado relativamente resguardado dos efeitos mais nocivos do El Niño este ano de 2024.

Mas na África Oriental, especialmente no Quénia, Somália e Tanzânia, e ainda no Burundi, e ainda na RDC, perto de um milhão de pessoas sofreram impacto violento de fenómenos climáticos, especialmente devido às intensas chuvas e inundações subsequentes, havendo mesmo registo de centenas de mortes.

Todavia, segundo a agência da ONU para o clima, a OMM, o fenómeno está a tender para acalmar globalmente à medida que as temperaturas da água no Oceano Pacífico normalizam, embora este fenómeno que é, de forma simplificada, a troca de calor entre o oceano e a atmosfera, pode evoluir, como os especialistas já admitem, para La Niña, que é precisamente o contrário, com o arrefecimento invulgar das águas do Pacífico.

E quando La Niña chega, com a saída de cena de El Niño, apesar desta ajudar de certa forma a reduzir a temperatura do planeta, o seu impacto pode ser igualmente devastador, mas efectuando uma troca na geografia do impacto, com chuvas intensas onde o "irmão" gera secas agrestes, e secura onde antes chovia com abundância.

À época entre o efeito El Niño, que vai até Abril, Maio, e a chegada de La Niña, que se prologa até Novembro ou Dezembro, os especialistas chamam "período neutro", que é quando o Planeta Terra respira como acontecia antes das alterações climáticas, provocadas pelo aumento da temperatura, que tem na acção humana uma das suas causas principais.

Nalguns anos, o calendário de acção destes dois fenómenos meteorológicos oscila por semanas, mesmo meses, o que alguns especialistas admitem que pode acontecer este ano, embora isso não seja, para já, possível de confirmar, porque, com o agravamento das alterações climáticas, são cada vez mais correntes os episódios de alterações bruscas em períodos de tempo cada vez mais curtos.