Neste momento, segundo o responsável pela empreitada, engenheiro José Marques, da empresa AFA-Engenharias e Construções, S.A., a obra vai já em cerca 70 por cento de execução.

Após a conclusão desta etapa, que consiste na implantação da estrutura física, o porto já poderá ser utilizado, pois estarão criadas as condições para a acostagem das embarcações.

Já a segunda fase, cujo orçamento ainda está em análise, sem data de início, vai disponibilizar edifícios e serviços de apoio à referida infra-estrutura.

Quando concluído, o Porto Pesqueiro do Tômbwa ocupará uma área de três hectares, com 400 metros de cais, o que permitirá a acostagem de até 10 barcos de uma só vez.

Como infra-estruturas de apoio, o futuro porto pesqueiro terá uma lota e um mercado, oficinas para a reparação e manutenção das embarcações, postos para o abastecimento de combustível e água, bem como um parque para viaturas.

Já o entreposto frigorífico, contíguo às instalações portuárias, vai ter uma zona para a lavagem e processamento do pescado, três túneis de congelação (15 toneladas cada), duas câmaras de conservação (150 toneladas) e uma fábrica de gelo em escama, com capacidade para sete toneladas.

Estes edifícios estão ao lado de outro destinado à salga e seca, cuja principal operadora é a Associação das Mulheres Processadoras de Pescado do Tômbwa.

O porto estará aberto à iniciativa privada. Os empresários do sector pesqueiro poderão instalar, no recinto, as suas fábricas de gelo e outras actividades de apoio à pesca.

Estas novas infra-estruturas vão permitir alterar o quadro actual, a favor dos operadores do ramo e, consequentemente, contribuir para a melhoria da segurança alimentar, oferecendo um produto de melhor qualidade e alívio dos "bolsos" da população.

Neste momento, os pequenos operadores do sector enfrentam dificuldades, já que ainda estão a ser criadas condições (reabilitação) do centro de apoio à pesca artesanal.

Os armadores da pesca semi-industrial e industrial usam meios próprios para todo o processo que envolve o tratamento do produto, mas enfrentam dificuldades que resultam num custo de produção alto, decorrente, sobretudo, do recurso permanente a geradores eléctricos, situação que penaliza o consumidor final.

Um porto pesqueiro diferente

Este será o segundo porto pesqueiro do país, depois do de Luanda, conhecido como o Porto Pesqueiro da Boavista, situado no distrito do Sambizanga. A directora do GEPE do Ministério das Pescas, Isabel Cristóvão, justifica a adopção pela escolha do Tômbwa para a sua construção.

"Nós temos, praticamente, no sector um porto pesqueiro. É importante, nas províncias do litoral, termos outros da mesma natureza. Também temos chamado terminal pesqueiro, porque, às vezes, é apenas o cais de acostagem. É o que se está a passar no Tômbwa. Depois, na segunda fase, será a construção de alguns edifícios", disse Isabel Cristóvão.

O porto pesqueiro do Tômbwa - prosseguiu - está vocacionado para a acostagem de embarcações, quer para a pesca artesanal, pesca semi-industrial, quer para a pesca industrial; ao contrário do Porto Pesqueiro de Luanda, que até ao momento está vocacionado à acostagem de barcos grandes, do segmento da pesca industrial.

"Como a actividade principal do Namibe é a pesca artesanal e pesca semi-industrial, devemos ter um cais que permita a acostagem dessas embarcações (de pequeno de médio porte)".

Quanto à construção do entreposto, as obras estão paralisadas, com previsão de serem retomadas dentro de aproximadamente três meses. Já a segunda fase do porto ainda não tem data, mas isso não impedirá que ele entre em funções após a primeira - como um terminal portuário.

"A situação (económica) actual alterou um pouco os nossos planos, pois, se não fosse isso, o terminal estaria praticamente concluído", assegurou.

O Governo pretende disponibilizar, nestas instalações, todo o serviço de apoio à actividade de pesca. "Havendo o terminal, os barcos descarregam o pescado, este é comercializado fresco. Queremos colocar uma lota (local para a primeira venda do pescado)".

"Será um porto aberto aos privados para instalarem as fábricas de gelo e outras estruturas e acções de apoio à actividade de pesca. Nós, como Estado, estamos a criar as condições necessárias, entre elas, o entreposto frigorífico que permitirá que os barcos da pesca semi-industrial atraquem. O peixe é descarregado para o entreposto através de um chupador, é tratado e pode ser comercializado fresco ou congelado", descreveu.

A opção pelo Tômbwa foi justificada com o facto de integrar uma região com tradição no sector e que já foi a "capital" do peixe no país.

"O Tômbwa é, por excelência, uma cidade piscatória. O Namibe já foi o principal centro piscatório do país, mesmo na altura da chegada dos colonizadores era um sítio de bastante peixe".