Em declarações ao Novo Jornal, o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Carlos de Oliveira, disse que estas mortes aconteceram nos meses de Fevereiro, Março e Abril, deste ano, nas aldeias de Muquinda e Missene, município de Catabola.

O caso mais recente ocorreu no dia 26 de Abril, por volta das 23:00, na aldeia de Missene, quando um grupo de homens surpreendeu o soba Manuel Nambi, de 56 anos, na sua residência, quando a vítima se encontrava a dormir em companhia dos seus familiares.

"Os acusados arrombaram a porta da casa, levaram a vítima para a rua, e, com catanas e enxadas, agrediram-no até à morte, na presença de sua família", explica o SIC, ressaltando que "de seguida os criminosos atearam fogo à casa e fugiram".

A outra ocorrência, sucedeu no período da tarde do dia 25 de Fevereiro, no bairro Muquinda, onde foi morto o soba João Sepunda, de 66 anos.

Este foi abordado numa zona isolada, por indivíduos, que, com recurso a objectos cortantes, o esquartejaram abandonando o cadáver no local.

E no passado dia 12 de Março, os populares assassinaram o regedor da aldeia de Muquinda, Eduardo Wanga Cavaleca, de 72 anos, quando este saia da lavra.

O malogrado foi interpelado na via pública, pelo grupo que estava munido com catanas, facas e paus, espancaram-no até à morte e depois atiraram o corpo num matagal.

Após o SIC se aperceber das mortes que estavam a ocorrer nestas aldeias desencadeou uma investigação que culminou com a detenção de três suspeitos esta semana.

Os suspeitos, de 23, 33 e 46 anos (na foto), vão ser encaminhados para o juiz de garantias, acusados de associação criminosa, homicídio qualificado, enquanto diligências prosseguem para localizar os demais envolvidos.

Neste ano, é o quarto caso de assassinato de autoridades tradicionais ocorrido na província do Bié, tendo o primeiro acontecido na primeira semana de Janeiro, conforme o Novo Jornal noticiou, onde foi morto o soba da aldeia de Chissipo, igualmente por crença no feiticismo.