Angola é um dos produtores africanos que viu a queda do volume de investimento externo no seu Oil &Gas cair nos últimos anos, embora não apenas devido ao problema climático, igualmente relevante foram as crises geradas por quedas abruptas no preço do crude nos mercados globais, que tornaram estes investimentos mais arriscados e a procura de uma alternativa mais urgente.
E com o acumular destas inquietações ambientais, o que faz com que o futuro do sector seja cada vez mais incerto, as "majors" claramente optam cada vez mais por reduzir a exposição à incerteza do futuro, claramente perturbado pelos dramáticos fenómenos climáticos extremos.
Face a essa perda de "gás" do sector energético fóssil africano, que abrange quase todos os países exportadores, onde Angola se destaca, tal como a Nigéria ou a Líbia, entre os três maiores produtores continentais, era preciso gerar soluções, e a criação de um banco pan-africano com estas características era visto como o primeiro passo.
Esta é uma solução que o Presidente João Lourenço tem vindo, especialmente neste seu segundo mandato, a sublinhar e a defender uma solução interna ao continente africano, sendo que este começo do Africa Energy Bank (AEB), que deveria abrir portas com 5 mil milhões USD, apenas tinha nos cofres 500 milhões USD.
Entre os objectivos deste banco está não apenas a disponibilização para projectos na área da pesquisa e produção, mas também a redução acelerada das importações de combustíveis e outros refinados, que é hoje um dos grandes escoamentos das divisas em África.
O AEB nasceu com uma limitação de 5 mil milhões no arranque mas deverá chegar aos 10 mil milhões para o futuro imediato, o que é visto como mínimo essencial para servir como alavanca de um sector que é fundamental para vários países africanos mas cada vez mais mal visto em todo o mundo devido ao problema "verde".
Por detrás deste projecto financeiro está o Afreximbank e a Organização dos Produtores Africanos de Petróleo (APPO, na sigla em inglês), tendo a instituição financeira sido criada no encontro anual destas plataformas em Abuja, na Nigéria, cerca de quatro anos após o projcto ter sido idealizado e mais de dois anos após o primeiro prazo indicado, como recorda Alex Kimani, analista do site OilPrice.
Esta abertura de portas do AEB coincide com um momento problemático no sector, para os produtores/exportadores mais dependentes, com o barril a cair na última semana mais de 7%, estando esta terça-feira, 03, no seu valor mais baixo em semanas.
Assim, perto das 15:00 desta terça-feira, o barril de Brent, a referência principal para as ramas exportadas por Angola, estava a valer 101,3 USD, uma queda acentuada de quase 3,5%, a reflectir uma fresta de possibilidade de paz no Golfo Pérsico, apesar de tudo apontar em sentido contrário.
Esta nova possibilidade de paz resulta de notícias em que as negociações entre Irão e EUA, mediadas pelo Catar, podem estar a chegar a bom porto, embora seja de extrema dificuldade encaixar as condições mínimas de um e do outro lado para que a paz seja aceitável em Washington e em Teerão.
