A descida abrupta do preço do petróleo nos mercados internacionais está a acontecer apesar de nada de substantivo ter mudado no conflito no Médio Oriente, entre a coligação israelo-americana, que o começou a 28 de fevereiro, e o Irão.

Foram as declarações de Donald Trump, na segunda-feira, onde este disse aos media internacionais que a guerra, ao contrário do que tem vindo a ser dito pelo seu secretário da Guerra, Pete Hegseth, acabará muito em breve que precipitou este reajustamento nos mercados.

É que as razões para o pânico inicial mantêm-se todas, desde o encerramento do Estreito de Ormuz à suspensão da produção nos países do Golfo Pérsico, com destaque para o Kuwait, a Arábia Saudita (parcialmente), os EAU e o Catar, relevante no caso do gás LNG...

Desconfiados como são os mercados energéticos, provavelmente, a contribuir para este apaziguamento, está também, ou até ainda mais relevante, a conversa telefónica entre Trump e o Presidente russo, Vladimir Putin, iniciada pelo americano, onde, ao que tudo índica, para lhe pedir que sirva de mediador com Teerão considerando as relações de proximidade com Moscovo.

Alias, Putin, assim que o novo Supremo Líder tomou posse, o aiatola Mojtaba Khamenei, filho do assassinado Ali Khamenei, garantiu-lhe o "apoio total e incondicional" da Federação Russa.

Mas Putin tem ainda mais relevância para a demanda de mediação americana porque, antes de receber a chamada do americano, recebeu chamadas de todos os líderes dos países do Golfo Pérsico a pedir para interceder junto de Teerão e Washington para conduzir a guerra para o seu fim o mais rápido possível.

O impacto do conflito na economia norte-americana, um desastre para as pretensões eleitorais de Trump e do seu Partido Republicano, nas eleições intercalares de Novembro, onde pode perder a maioria nas duas câmaras do Congresso, e a avassaladora chuva de misseis e drones iranianos sobre Israel e as bases dos EUA na região, são uma realidade pesadamente desconfortável para a Casa Branca.

É que o próprio Donald Trump admitiu na segunda-feira, 09, à CBS, que "ninguém sabia que o Irão tinha tantos misseis", o que significa que os EUA estavam mal organizados para um conflito desta natureza, e as consequências estão a ser maiores que o expectável...

Embora, como é igualmente verificável, o Irão esteja há 11 dias consecutivos sob uma devastadora chuva de misseis e bombas planadoras israelo-americanas, com destruição evidente em quase todas as suas grandes cidades, sendo apenas a sua gigantesca dimensão e dispersão da sua capacidade balística e hipersónica que permite disparar vaga após vaga de projectéis sobre Israel e as bases dos EUA, quase todas já inoperacionais...

Este é o contexto em que os mercados, apesar da realidade não se ter mexido no xadrez desta guerra, agindo apenas na perspectiva de um arrefecimento dos ânimos, que o Irão, para já, recusa, começaram a normalizar, como o barril a voltar a preços "normais" e os mercados bolsistas a recuperar de perdas históricas nos últimos dias.

O barril de Brent estava, então, a valer, perto das 11:25 desta terça-feira, 10, o 11º dia de guerra, hora de Luanda, 92,2 USD, um declínio superior a 6,5% face ao fecho de Segunda-feira, dia em que, às primeiras horas de negócio, chegou a bater nos 120 USD.

Mas, como a generalidade dos analistas aponta, este cenário pode mudar radicalmente e em pouco tempo se a percepção de fim de conflito e iminente reabertura das rotas comerciais, especialmente o Estreito de Ormuz, não for sendo alimentada com novos dados positivos nas próximas horas ou escassos dias...

Tal poderá obrigar as grandes economias, como EUA e China, darem início a um processo de libertação das suas reservas estratégicas, como aconteceu em 2022, com a invasão russa da Ucrânia pelo então Presidente norte-americano Joe Biden, que, ao mesmo tempo, acalmou os mercados, mas inculcou neles um sentimento de gravidade que ainda hoje perdura, ou perdurava até ao começo do actual conflito no Médio Oriente.