Rui Miguêns de Oliveira, que falava durante a 23.ª edição do CaféCIPRA, no Memorial António Agostinho Neto, sob o tema "A construção de estradas como alavanca à produção nacional", considerou que "é desejável que todo o novo projecto agro-industrial ocorra com algum tipo de infra-estrutura rodoviária, mas na vida as coisas nunca acontecem dessa maneira".
"Às vezes é um caminho que é feito, um projecto que nasce e depois a infra-estrutura nasce do projecto. É algo que tem uma interacção nos dois sentidos", argumentou
Noutra intervenção, reconheceu as dificuldades no terreno: "quando estamos a falar de trazer do campo para a cidade os produtos, para as indústrias, levantamos com muita razão que as estradas nem sempre estão boas. Nós conhecemos, nós estamos todos no nosso País e sabemos que há zonas que inclusivamente ficam, no período das chuvas, com limitações de deslocação dos cidadãos e dos empresários para esses locais."
O titular da pasta do MINDCOM acrescentou que "esse é um tema que o Governo, obviamente está preocupado em resolver, mas não se vai resolver num dia, não tenhamos ilusões", defendendo a necessidade de garantir a circulação "com segurança por todo o território nacional" ao longo de todo o ano.
Adicionalmente, frisou o facto de o problema das estradas não ser levantado com a mesma acuidade quando se trata de importações: "Quando se trata de levar os produtos importados para o interior já ninguém levanta o problema da falta das estradas ou pelo menos esse problema não é levantado com a mesma acuidade ou a mesma acutilância.
O ministro da Indústria concluiu:"a mensagem que eu gostaria de transmitir é que temos que desconstruir essa ideia de que só vamos ter produção nacional no dia que tivermos estradas asfaltadas até o último município do nosso País", sublinhando o respeito pelos produtores que transformam "um espaço hostil" em espaço de produção.
A sessão ficou ainda marcada pela saída a meio do CaféCIPRA do ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D'Abreu, que durante a sua intervenção adiantou ter de se ausentar, e pela forma como foram seleccionadas as perguntas, situação que deixou a imprensa pública sem poder colocar nenhuma questão.
O certame contou ainda com os ministros da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, e das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos dos Santos.
