"A minha mulher costuma dizer que, numa vida anterior, eu devo ter sido africano", contou Chen Jianxing à agência Lusa.
Ex-diplomata, formado em Economia, Chen trabalha há quatro anos num parque natural da Tanzânia e não imagina outro futuro: "Sinto-me melhor na Tanzânia do que em Pequim".
Os momentos que Chen recorda com mais encantamento ocorrem após o nascer do sol e quando a tarde começa a cair: "É uma sensação de paraíso".
Chen Xianxing chegou à Tanzânia em 2006. Tinha 28 anos.
Antes de ser colocado na Embaixada da China em Dar-es-Salam, trabalhava no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Pequim: "Propuseram-me um posto num país europeu, mas eu pedi para ir para África. Era o meu sonho".
Três anos depois, abandonou a carreira diplomática e foi trabalhar para os Parques Naturais da Tanzânia: "Estou a fazer uma coisa de que realmente gosto".
Considerado um dos países mais ricos em espécies animais, com uma área quase dez vezes maior do que Portugal e 45 milhões de habitantes, a Tanzânia tem 16 parques naturais e 23 áreas de conservação.
"Só dois parques é que dão lucro", lamenta Chen.
Como em muitas áreas da economia africana, "o potencial é enorme, mas falta capital e boa gestão".
O turismo pode ser uma solução, defende Chen: "É uma indústria que cria uma classe média e beneficia toda a gente, enquanto a construção civil e a extração mineira só beneficiam alguns líderes".
Em 2012, a Tanzânia recebeu cerca de 10.000 turistas chineses, dez vezes mais do que uma década antes, e o vizinho Quénia 50.000.
O número de turistas chineses em África "está a crescer mais de 20% ao ano", diz Chen.
Com cinquenta compatriotas, no final de 2011, Chen criou uma associação de fotógrafos amadores "apaixonados" pelo continente africano, chamada HSH, cujas imagens são divulgadas no website zcool.com.cn.
Chen é o único que fotografa animais, sobretudo leões: "Sou um amante de animais. A primeira coisa que me interessa num país é saber quantas espécies animais tem e como vivem".
A ideia partiu de chineses residentes na África Oriental, mas a associação quer estender-se a outras latitudes, nomeadamente Angola e África do Sul, onde se encontram as maiores comunidades chinesas.
Mais de meio milhão de chineses vive naqueles dois países, correspondendo a metade dos compatriotas que trabalham na África inteira.
Na Tanzânia são 30.000, um número pequeno comparado com os cerca de 260.000 registados em Angola: "Normalmente ficam três ou quatro anos. A maioria vem por causa do dinheiro".
A história de Chen Jianxing é diferente: "Na escola primária já colecionava fotografias de leões e de outros animais".
África proporcionou-lhe, igualmente, o encontro com uma professora de design de Wuhan, centro da China, que "também gosta muito de animais".
"Começámos por trocar informações, através da internet, depois conhecemo-nos pessoalmente e mais tarde decidimos casar", contou Chen Jianxing.
O destino da viagem de núpcias é fácil de adivinhar. "Passámos a luz de mel em África".
