"Chegou o momento de aceitar um certo decrescimento em algumas partes do mundo aportando recursos para que seja possível crescer de maneira saudável em outras partes", escreve o pontífice, que pede "limites" porque é "insustentável o comportamento daqueles que consomem e destroem mais e mais, enquanto outros não podem viver de acordo com a sua dignidade humana".

O Sumo Pontífice denuncia ainda o actual sistema económico mundial que usa a "dívida externa como instrumento de controlo" e os países ricos por não reconhecerem a "dívida ecológica" que têm com os países em desenvolvimento.

"A dívida externa dos países pobres transformou-se num instrumento de controlo, mas não acontece o mesmo com a dívida ecológica (...) com os povos em desenvolvimento, onde se encontram as mais importantes reservas da biosfera e que alimentam o desenvolvimento dos países mais ricos ao custo do seu presente e do seu futuro", afirma o mesmo documento.

O Papa Francisco denunciou ainda, na sua encíclica, a "submissão da política à tecnologia e às finanças" como causa dos fracassos nas reuniões mundiais para conter o aquecimento global e a deterioração do planeta.

"A submissão da política ante a tecnologia e as finanças mostra-se no fracasso das reuniões mundiais", sublinha o Papa, acusando os "poderosos" de não querer encontrar soluções.

Angop/NJ