A tempestade "Kristin", que assolou o território português na semana passada, deixou um rasto de destruição gigantesco que só muitas horas depois se percebeu a sua amplitude apanhando mesmo o Governo distraído.
Foi já quando as populações procuravam reagir, e depois de severas críticas nos media portugueses, que o Governo do primeiro-ministro Luís Montenegro foi para o terreno e na anunciou um plano de ajuda de 2,5 mil milhões de euros para reconstrução de infra-estruturas públicas e privadas.
E quando se começa a fazer um balanço da devastação, como não se via naquele país europeu há décadas, com cheias por toda a região centro, ventos de mais de 200 kms/h, centenas de casas, indústrias, estradas e pontes, ou linhas eléctricas de alta tensão destruídas, eis que novo alerta é lançado devido ao que se espera para os próximos dias.
O Plano Nacional de Emergência de Protecção Civil foi hoje activado em Portugal, devido, avança a Lusa, à previsão de "agravamento do cenário de risco para pessoas e bens" nos próximos dias, após a destruição causada pela depressão Kristin.
A activação do Plano Nacional de Emergência de Protecção Civil (PNEPC) foi aprovada por unanimidade na primeira reunião extraordinária de 2026 da Comissão Nacional de Protecção Civil (CNPC), a que presidiu a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, refere um comunicado da CNPC citado pela Lusa.
Esta decisão, prende-se com a "elevada precipitação esperada e seus impactos do ponto de vista hidrológico, nomeadamente ao nível de cheias e inundações (...), efeitos [que] incidem de forma cumulativa sobre um território já afectado pelas consequências da recente depressão Kristin", refere o comunicado.
"Com a activação do PNEPC ficam preventivamente garantidos mecanismos de coordenação reforçados, integrados e de âmbito nacional", indicou a CNPC, destacando "em particular, o estabelecimento de um fluxo de informação ininterrupto entre todas as áreas governativas e as entidades envolvidas, em apoio à direcção do plano", que será assumida pela ministra.
A CNPC precisou também que "os mecanismos previstos no PNEPC serão accionados de forma gradual e flexível, em função da evolução da situação e sempre que tal se revele necessário, com o objectivo de assegurar uma resposta eficaz e articulada à situação de risco".
Segundo a Comissão Nacional de Protecção Civil, órgão de coordenação política em matéria de protecção civil, na reunião "participaram os responsáveis das várias entidades que integram o Sistema Nacional de Protecção Civil", que não fizeram declarações à comunicação social, e "os trabalhos centraram-se na análise da situação hidrometeorológica adversa e na avaliação da sua evolução previsível".
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Protecção Civil, vários feridos e desalojados.
O Governo, lembra a Lusa, decretou situação de calamidade, que foi prolongada até 08 de fevereiro, numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

