Em conferência de imprensa, a terceira vice-presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Mihaela Webba, disse que a região Leste de Angola (Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico) enfrenta situações de "extrema pobreza" e "miséria", caracterizadas pela desnutrição, falta de infra-estruturas básicas, água potável, energia eléctrica, desemprego da juventude.
Segundo a deputada, apesar da riqueza diamantífera, "as populações locais vivem em condições degradantes, agravadas por medidas rigorosas no sector mineiro, que limitam o garimpo de subsistência, sem mínimas alternativas de usufruto".
"Oficialmente, diz-se que o relançamento do desenvolvimento socio-económico da região, em particular das províncias do Moxico e Moxico-Leste, tem como premissa o restabelecimento do tráfego ferroviário do caminho de ferro de Benguela (CFB), facilitando a exportação de produtos locais, como o sal e farinha de peixe, a preços de competitivos", referiu.
"Pretende-se vender a ideia de que o estabelecimento do célebre corredor do Lobito, por si só, vai trazer desenvolvimento às comunidades, gerando desenvolvimento às províncias atravessadas pelo caminho de ferro de Benguela (CFB)", acrescentou.
De acordo com a deputada, todas as acções tendentes a desenvolver esse corredor não terão impacto desejado na vida das comunidades angolanas, em particular dessa região, se além de garantir a eficiência logística do oceano atlântico ao índico, através do modal ferroviário, não houver transporte rodoviário complementar.
"Em suma, todos os projectos de carácter regional que acham viabilidade nesse corredor, devem estar voltados para o desenvolvimento das comunidades, promovendo emprego e o bem-estar dos cidadãos, sem envolver necessariamente pessoal especializado", frisou.
Na sua opinião, o Moxico, apesar da mais recente divisão político-administrativa que a afectou significativamente, continua a ser uma das províncias com sérias dificuldades de ligação rodoviária, dificultando o transporte de mercadorias e bens, em quase toda a sua extensão.
"O Executivo angolano está desorientado, com todas as saídas da crise bloqueadas, repercutindo-se na fuga de cidadãos angolanos qualificados para o exterior, com particular realce para empresários e jovens, cuja vida está dificultada pelas políticas do regime que não salvaguardam direitos adquiridos", notou.
A deputada considera que neste ambiente, a realização das jornadas parlamentares "surgem como uma plataforma para a reflexão e fonte de inspiração que capacite, os deputados na sua tripla missão de representar, legislar e fiscalizar a favor dos cidadãos, a defesa intransigente dos direitos, liberdades e garantias fundamentais e a preparação de um clima favorável à alternância política pacífica".

