Em disputa pelo lugar que até aqui coube a Ahmed Mohamed Mohamoud, eleito em 2010, estão três candidatos: Muse Bihi Abdi, pelo Kulmiye, partido no poder, e, pela oposição, Faysal Ali Warabe, candidato da UCID, Abdirahman Mohamed Abdullahi, do partido Waddani.

A seca prolongada, a instabilidade provocada por uma declaração de independência desorganizada e múltiplos desentendimentos entre as forças políticas do território, conduziram a um atraso de vários anos na realização destas eleições, depois de as últimas terem ocorrido em 2010.

A Somalilândia vive uma autonomia plena desde 1991, quando se separou da Somália, com um sistema político assente num presidencialismo efectivo, mas a comunidade internacional apenas reconhece a sua autonomia face à Somália, não sendo reconhecida enquanto país por nenhum Estado ou organização de Estados.

No entanto, os seus sucessivos governos têm apostado no reconhecimento internacional através de um sistema democrático funcional, com eleições regulares e, a exemplo das que ontem tiveram lugar, sem registo de irregularidades graves, como deram conta os cerca de 60 observadores internacionais que ali se deslocaram para acompanhar a votação.

Porque a Somalilândia não é um país reconhecido, embora o Governo de Hargeisa, capital, mantenha relações com vários países, incluindo alguns europeus, mas em especial com a vizinha Etiópia, os observadores presentes nestas eleições falaram aos jornalistas sob anonimato, relatando apenas pequenas perturbações sem significado para o desfecho final e a eleição do novo Presidente.

Estas foram as terceiras eleições realizadas na Somalilândia, esperando-se para 2019 a realização das eleições legislativas, tendo, apesar das dificuldades do país provocadas pela seca e a instabilidade política, embora sem consequências violentas ou com danos para o sistema democrático, oferecido uma novidade ao continente africano: foi a primeira vez que o registo eleitoral foi feito com base na identificação dos eleitores pela íris do olho, como todos as forças concorrentes a não apresentar quaisquer dúvidas quanto ao método.

No entanto, sublinha-se, o Presidente que está de saída, Ahmed Mohamed Mohamoud, foi acusado, bem como o seu Governo, por diversas ocasiões, de corrupção e má governação.

Desafios do jovem país

Alguns dos desafios mais importantes para o novo Presidente vão ser as negociações dos os Emirados Árabes Unidos para o desenvolvimento do importante porto marítimo de Berbera, no Golfo de Áden, e a construção de uma base militar, o que, segundo os analistas, poderão resolver a maior parte dos problemas económicos do país.

Outro dos desafios é o poder remanescente dos clãs no território, quando decorre um esforço para modernizar as instituições democráticas, sendo que o sistema tradicional de poder está inserido na Constituição.

Mas o olhar da comunidade internacional sobre este país é, como em todos os novos Estados, como foi o caso de Ti9mor Leste ou ainda do Sudão do Sul, é essencial para garantir um arranque sólido.

Um bom sinal de que decorre uma evolução com vista ao reconhecimento foi a criação, pelo Reino Unido, antiga potência colonial, de um organismo internacional de observadores, composto por 60 elementos de 27 nacionalidades, que estiveram presentes no decurso desta votação.

Esta melhoria, relativamente aos anteriores processos eleitorais, pode ser decisiva, visto que se não ocorrerem convulsões a partir do anúncio dos resultados, isso poderá indicar que as instituições democráticas do país estão em franca consolidação, o que é essencial para o esperado reconhecimento pela comunidade internacional.

Mas isso só será verificado, espera-se, a partir de 17 a 20 de Novembro, quando deverão ser divulgados os resultados.

Onde fica este país e do que é que vive a sua economia?

Situada a noroeste da Somália, na costa sul do Golfo de Áden, tem fronteiras com a Somália, com o Djibuti e com a Etiópia, estende-se por mais de 177 mil km"s quadrados, é habitado por cerca de 4 milhões de pessoas, na sua esmagadora maioria com menos de 30 anos, e a sua capital, Hargeisa, tem 1,5 milhões de habitantes.

Apesar de ter potencial noutras áreas, como a exploração de recursos marítimos e, no futuro, o turismo, a Somalilândia tem, nos dias de hoje, o suporte da sua economia na criação animal, com mais de 10 milhões de cabras, 5 milhões de ovelhas, 5 milhões de camelos e mais de 2,5 milhões de bovinos.