Deste modo, no período considerado, o stock de Activos Estrangeiros em Angola registou uma queda de cerca de 45% - passando de 43.146 milhões para 23.812 milhões de dólares americanos -, enquanto que o stock de Activos Nacionais no Estrangeiro registou um aumento de cerca de 835%, saindo de 2.748 milhões para 25.707 milhões de dólares americanos. Com isso, se em 2004 os Activos Estrangeiros em Angola superavam os Activos Nacionais no Estrangeiro em cerca de 40.397 milhões de dólares americano, em 2025 são os Activos Nacionais no Estrangeiro que passaram a superar os Activos Estrangeiros em Angola em cerca de 1.896 milhões de dólares americanos. Entretanto, em 2017 haviam Activos Estrangeiros em Angola que superavam os Activos Nacionais no Estrangeiro em cerca de 12.195 milhões (cf. o Gráfico 2).

Então, entre 2004 e 2025, o país perdeu anualmente, em média, em termos líquidos, capitais de cerca de 1.922 milhões de dólares americanos, dos quais cerca de 879 milhões de Activos Estrangeiros em Angola e cerca de 1.044 milhões de Activos Nacionais. Contudo, a perda líquida média anual de capitais entre 2004 e 2017 foi de 2.014 milhões de dólares americanos, com a saída de Activos Nacionais (1.368 milhões) a atingirem mais do que o dobro da saída de Activos Estrangeiros (646 milhões); já entre 2018 e 2025 a perda líquida média anual reduziu-se para 1.761 milhões de dólares americanos, tendo a média da saída de Activos Estrangeiros quase duplicado para 1.286 milhões, enquanto que a média da saída de Activos Nacionais caiu para um pouco mais de 1/3 (475 milhões), pelo que esta passou a corresponder também a um pouco mais de 1/3 da média da saída dos Activos Estrangeiros.

Embora haja a assinalar, assim, um abrandamento do ritmo da perda anual líquida de capitais do período 2004-2017 para o período 2018-2025, o facto é que ela ainda se mostrou significativa, sendo preocupante que se tenha registado uma aceleração da média anual da saída líquida de Activos Estrangeiros para o dobro, quando o país precisa que o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) seja positivo. E a esse propósito, é de referir que, em 2024, Angola posicionou-se na 169.ª posição entre 179 países do ranking mundial de IDE em proporção do Produto Interno Bruto (-2,5%), segundo o segundo o "The Global Economy"2.

Por outro lado, é de assinalar também que, entre 2004 e2025, enquanto a Balança de Pagamentos registou a saída dos rendimentos dos Activos Estrangeiros em Angola (excluindo os Créditos e os Empréstimos) de uma proporção média anual equivalente a 16% dos mesmos, o registo de entrada dos rendimentos de todos os Activos Nacionais no Estrangeiro (aqui incluindo os Créditos, os Empréstimos e as Reservas Oficiais) foi de uma proporção média anual de apenas 1% destes.n
1 "Ainda não estão superadas as dificuldades".

2 Cf. em: https://www.theglobaleconomy.com/rankings /Foreign_Direct_Investment/.

*Economista