Disse o líder dos mais de 1.4 mil milhões de católicos no mundo que Santo Agostinho, nascido na Argélia, em 354 d.C., que este santo da Igreja Católica é "uma ponte extraordinária para o diálogo inter-religioso".

E esta passagem ecuménica, que até aqui estava "escondida" na agenda do Papa para esta viagem africana, foi recuperada nas últimas horas, o que faz todo o sentido, não apenas porque Leão XIV começou o seu "tour" num país islâmico, mas porque os que se seguem apresentam desafios enormes nesse domínio.

Desde logo os Camarões, onde perto de 50% da população é católica, embora esta comunidade esteja a ser fortemente pressionada pelas seitas e igrejas protestantes, e, especialmente no norte, com o rápido crescimento do Islão, o que tem gerado não apenas tensão religiosa permanente como também conflitos graves intercomunitários.

Depois das Camarões, segue-se Angola, de 18 a 21 de Abril, país sem conflitualidade religiosa, com uma presença islâmica residual, mas onde a maioritária Igreja Católica sente cada vez mais a ameaça do crescimento das seitas e igrejas evangélicas, um tema que em 2009 não passou desapercebido ao Papa Bento XVI, quando esteve no país.

A questão da inter-religiosidade para a qual Leão XIV usa Santo Agostinho e as suas históricas e principais mensagens, como ponte, destacando-se a busca interior da paz e o bem como medida de todas as coisas, a superação do orgulho e a relação entre fé e razão, deverá ser diluída na relevância da sua mensagem quando chegar, a 21 de Abril, à Guiné-Equatorial, um país com mais de 80% de católicos.

Como alicerce para o restante percurso apostólico de Leão XIV, que ficou marcado, nas primeiras horas, pela troca de argumentos com o Presidente dos EUA, Donald Trump, que não gostou (ver aqui) de ouvir o seu conterrâneo a defender a paz e a pelejar contra a guerra, o site Vatican News foca o olhar da sua reportagem na ida do Papa à Grande Mesquita de Argel.

Ali, o sucessor de Pedro dedicou parte do seu tempo a uma reflexão em silêncio e, depois, em conversa com o responsável por aquele famoso templo islâmico, o Reitor Mohamed Mamoun Al Qasimi, apontou como fundamental o "respeito reciproco e a reciprocidade do respeito entre todas as pessoas".

Da Grande Mesquita de Argel, Leão XIV seguiu para o convento das freiras agostinianas da capital argelina, e dedicou o resto da sua agenda pública a visitar e a rezar na Basílica da Nossa Senhora de África, onde se encontrou com a comunidade católica argelina, uma minoria vibrante, nas palavras dos media do Vaticano que acompanham o Papa, que não coube no templo de grande dimensões que e este.

E foi ali que Leão XIV voltou a molhar a sua agenda com a chuva que o acompanhou durante todo o dia e com o ecumenismo ao dedicar-se a conversar com diversas pessoas de outras religiões, desde estudantes muçulmanos a estudantes pentecostais, que com ele partilharam as suas experiências de vida comum entre cristão e muçulmanos.

A este propósito, o chefe da Igreja Católica sublinhou que num mundo onde "a divisão e as guerras espalham o sofrimento e a morte entre Nações, nas comunidades e até entre famílias, esta experiência de unidade e paz é um sinal encorajador".

Isto é ainda mais relevante porque a Argélia viveu uma guerra civil de pendor fortemente religioso entre grupos radicais islâmicos e o Governo, que durou de 1991 a 2002, mas cujos estilhaços chegaram a 2012 com forte impacto ainda, e durante a qual foram mortos mais de 150 mil pessoas, entre estes milhares de cristãos e um número enorme entre a comunidade religiosa católica.

O segundo dia da visita papal à Argélia tem como epicentro a terra natal de Santo Agostinho, Annaba, antiga Hippona, passando pela área arqueológica da antiga sede episcopal, mas, devido ao mau tempo, a visita pelas ruas da cidade portuária foi reduzida.

O Pontífice plantou ainda uma oliveira e, entre outros pontos de agrnda, presidiu à celebração Eucarística na Basílica de Santo Agostinho, tendo, ao final da tarde, regressad a Argel, estando, nesta esta quarta-feira, 15, a caminho de uma nova etapa, que passa pelos Camarões, onde fica até 18, dia em que deixa Yaounde e chegará a Luanda.