As duas empresas sub-contratadas para as obras do Hospital Geral da Catumbela, na província de Benguela, voltaram a suspender o curso dos trabalhos, outra vez devido a razões financeiras, acabando o espaço tomado por um matagal, apurou o Novo Jornal. A portuguesa Teixeira Duarte e a angolana Afritectos, sub-contratadas pela Vamed, empresa austríaca, criticam atrasos no pagamento pelos serviços que prestam para uma unidade sanitária de referência, projectada para 240 camas.

Abordada a propósito de uma medida tomada há já alguns meses, a Teixeira Duarte refere que cabe ao empreiteiro, detentor de um contrato com o Estado angolano, prestar os devidos esclarecimentos. A mesma resposta foi dada pelo outro sub-empreiteiro, a Afritectos, com domicílio na Repartição Fiscal de Benguela, na primeira paralisação, em 2025, quando, em situação normal, o Hospital Geral da Catumbela deveria levar já com quase dois anos de funcionamento.

A primeira pedra, que simbolizou o arranque das obras, foi lançada em Julho de 2022, em acto presidido pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, para um período de execução de 30 meses.

Certo é que, como vem noticiando o NJ, problemas de tesouraria estorvam o calendário, até porque o orçamento vai suplantar os 50 milhões, 575 mil e 970 euros projectados inicialmente, com financiamento do Standard Chartered Bank.

Segundo fonte ligada à empreitada, adendas para a instalação de redes de água e energia e correção dos solos face ao nível do troço rodoviário na EN - 100 são algumas das causas da derrapagem financeira (diferença entre o preço esperado e o real).

A Vamed, com uma sucursal cadastrada na Repartição Fiscal de Luanda em Setembro de 2013, optou sempre pelo silêncio, mesmo quando convidada a reagir às críticas do Presidente da República, João Lourenço, segundo as quais estaria a cobrar ao Estado valores superiores aos que se encontram nos contratos.

Foi na sequência de uma visita ao Hospital de Viana, em Luanda, construído pelos austríacos.

Ao local das obras na Catumbela, conforme constatou o NJ, continuam, apesar de tudo, a acorrer centenas de jovens à procura de emprego no mundo da construção civil.

Ali, colaboradores da Afritectos <> o tempo em trabalhos de desmatação, acto de retirada do capim e arbustos que invadem o terreno.

Ao lado, a escassos metros, decorrem obras para o principal hospital materno-infantil da província, a cargo da Wedo, uma subsidiária da Omatapalo.

Em Fevereiro do ano passado, na primeira suspensão do curso das obras, a ministra Sílvia Lutucuta disse que os "pequenos problemas" seriam resolvidos e anunciou uma retoma sem mais embaraços, mas não é o que se verifica.

Catumbela, que ascendeu à categoria de município a 5 de Outubro de 2011, ao abrigo do Decreto-Lei nº 32/11, herdou um hospital da antiga Companhia Agrícola do Cassequel, antes da Independência Nacional, actualmente em avançado estado de degradação.