Segundo informação divulgada pela organização no Facebook, a iniciativa terá uma programação diversificada, com colóquios, oficinas, actividades destinadas ao público infantil, um curso de kikongo, jogos Bantu-Kongo, uma rádionovela, transmissões de rádio, DJ sets, spoken word, performances e espaços de escuta. O projecto pretende reunir história, arte e comunidade em torno da reflexão sobre o legado do antigo Reino do Kongo e as formas como essa memória continua a dialogar com o presente.
Esta quarta-feira, 22, o Camões - Centro Cultural Português acolhe parte da programação. Às 10h realiza-se o colóquio "Estruturas Políticas, Militares e Filosofia no Antigo Kongo", conduzido pelo investigador Patrício Batsîkama, autor de obras como Tokoismo, Teologia da Libertação, O Reino do Kongo e a sua Origem Meridional, Makela ma Zombo e Nação, Nacionalidade e Nacionalismo em Angola.
Segue-se, às 11h00, o segundo colóquio, dedicado ao tema "Sincretismo Religioso e Messianismo na Realidade Kongo: Uma Reflexão à Luz da Religião Africana", com intervenção do filósofo e teólogo Joaquim Pedro Neto Rescova.
Às 13h30, a terceira sessão aborda o tema "A Nação Kongo: Unidade Linguística e Diversidade Sociolinguística", com a participação do linguista Ndonga Nfuwa.
O primeiro dia encerra com o quarto colóquio, às 14h30, subordinado ao tema "A figura de Kimpa Vita: profetisa do Reino do Kongo como símbolo de resistência africana", tendo como orador o doutor em Literatura Petelo Nguinamau Ne-Vata.
Na quinta-feira, 23, a programação prossegue no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda, com uma sessão de abertura e um momento cultural de spoken word com Joice Zau, às 9h30. Quinze minutos depois, tem início a oficina cultural "O Provérbio em Kikongo, Multimodalidade, Performance e Oralidades", conduzida por Abreu Paxe (Ph.D.).
Depois de uma pausa para café, realiza-se, às 11h, a oficina "Literatura Infantil", orientada por Domingas Monte, mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes. A programação inclui ainda uma exposição permanente de livros sobre o Reino do Kongo, às 12h.
Durante a tarde, às 14h, acontece a oficina cultural "Dyembu Dyetu - Nossa Aldeia". Mais tarde, às 17h30, o auditório Camões acolhe a exibição do documentário "Reino do Kongo - Em Busca do Reino Destruído".
Após a apresentação, às 18h30, o realizador Ne Kunda Nlaba participa numa conversa com o público, antes do encerramento da agenda, marcado para as 19h.
Nos dias 24 e 25 de Julho, a actividade vai ser realizada no Magistério Mutu ya Kevela.
Para Jamil Osmar Ramos, director artístico do Dikanda do Reino do Kongo, o projecto "é um convite a reactivar a memória cultural para compreender quem somos e imaginar os futuros que queremos construir". A declaração foi citada pela organização numa publicação no Facebook.
O também curador considera que "M"banza Kongo é um arquivo vivo de memória e possibilidade", sublinhando a importância da cidade como espaço de preservação e produção de conhecimento.
"Com o projecto Dikanda do Reino do Kongo não pretendemos apresentar o reino em todas as suas facetas, mas sim partilhar e debater com o público o nosso ponto de vista sobre as consequências do colonialismo, tanto do ponto de vista científico como artístico", explica igualmente a organização.
A iniciativa reúne o Camões - Centro Cultural Português, Goethe-Institut Angola, Casa de Cultura e Artes Ubuntu, AIA - Arquivo da Identidade Angolano, Rádio Nacional de Angola e Teatro VOVA, contando com o apoio do Ministério da Educação, Governo Provincial do Zaire, Cine Clube Comandante Bula e Refriango. O projecto é financiado pelo programa Espaços Europeus de Cultura do EUNIC Global.
