Estas palavras, duras, atiradas pelo chefe da igreja católica, no dia em que aterrava no continente africano, a Donald Trump, são uma reacção às acusações inexplicáveis que este fez a Leão XIV, um cidadão dos EUA que escolheu, e explicou porquê, o mundo da paz como casa.

Trump disse que Leão XIV é alguém de quem não gosta, que quer ver o Irão com uma bomba nuclear e prefere quem apoio o terrorismo, quando aquilo que o Papa fez foi uma cópia quase integral do que fazem todos os Papas, que é apelar á paz, desejar que a guerra acabe e apontar como caminho o diálogo entre as partes beligerantes.

O que foi visto na Casa Branca como um posicionamento de Leão XIV contra os Estados Unidos e a sua guerra com o Irão, considerada quase unanimemente como uma guerra ilegal, não provocada e gerada por razões contrárias à Carta das Nações Unidas e à Lei Internacional.

"Eu não tenho medo da Administração Trump ou falar alto e com bom som sobre a mensagem dos Evangelhos, que é naquilo que eu acredito e que é aquilo que aquilo em que a Igreja está aqui para fazer", apontou Leão XIV quando voava para a Argélia, o primeiro dos quatro países que estão no mapa deste périplo africano, que tem Angola como uma das paragens mais esperadas.

Depois de Argel, capital da Argélia, o Papa segue para os Camarões, chegando a 18 de Abril a Luanda, onde fica até 21, dia em que segue para o seu destino final africano desta visita histórica, que será a Guiné Equatorial.

Ainda no avião, o líder mundial dos católicos, lembrou a Donald Trump que na igreja "não há políticos" que ali "não se lida com a política internacional na mesma perspectiva que ele a entende", e acrescentou que se vê como "um fazedor de paz" usando como ferramenta os Evangelhos.

Esta reacção surgiu depois de Trump ter dito que o Papa estava a contribuir para a degradação da política internacional, sublinhou que não gosta dele e acusou Leão XIV de concordar que o Irão tenha armas nucleares "para poderem explodir o mundo".

Em pano de fundo a esta troca de argumentos entre Trump e o seu conterrâneo que lidera o Vaticano está a forma clara e inequívoca como Leão XIV se posicionou sobre a guerra iniciada pela coligação israelo-americana contra o Irão, com maior ênfase quando o Presidente dos EUA escreveu na sua rede social que ia "matar a civilização iraniana para nunca mais regressar", dizendo serem "palavras totalmente inaceitáveis".

Curiosamente, esta postura do Papa aparece num contexto em que tanto Donald Trump como o seu secretário da Defesa (Guerra), Pete Hegseth, recorrem diariamente á ideia de que agem em nome de Deus na sua acção contra o Irão.

E existem notícias comprovadas de que os comandantes militares norte-americanos estão a convencer os seus subordinados que vão para o Irão de que estão a entra numa missão divina encomendada pelo Criador a Trump de gerar o Armagedão no Irão que permitirá o regresso do Messias à Terra.

Isto, ainda ao mesmo tempo que Trump publicou uma imagem gerada por Inteligência Artificial onde aparece no lugar de Cristo (ver imagem que acompanha este artigo) e quando nas comunidades evangélicas dos EUA está a ser promovido como um enviado divino.

Alguns analistas admitem que esta estratégia de Donald Trump em atacar Leão XIV, acusando-o de ser "fraco na luta contra o crime e péssimo em política internacional", é intencionalmente projectada para reduzir a sua importância e emergir nesse contexto como uma espécie de entidade religiosa paralela com uma missão divina, como, de resto, diversos vídeos feitos na Casa Branca com pastores evangélicos à sua volta o comprovam.