Há muitos assuntos que são prioritários para assegurar um caminho seguro para a sustentabilidade ambiental e uma sociedade mais justa pelo que é importante que a Nação considere acções práticas, todas elas alicerçadas no desenvolvimento do capital humano e na vontade genuína de mudança. O estabelecimento de parcerias para a gestão dos nossos recursos naturais, a investigação científica com uma vertente prática e o implementar de processos de auscultação onde todos são ouvidos são alicerce fundamentais.
Algumas das medidas que poderiam ser avançadas para que forma pragmática se possa proteger o nosso ambiente e caminhar para a sustentabilidade dos nossos recursos naturais incluem as seguintes:
- Desenvolver, de forma participativa, e aprovar legislação sobre o ordenamento do espaço marinho como suporte à Estratégia Nacional para o Mar de Angola e o Plano de Ordenamento do Espaço Marinho de modo a colmatar o vazio legal relacionado com o ordenamento da zona costeira e marinha, facto que tem resultado em permanentes conflitos entre os vários usos e os usuários desse espaço territorial. Estes instrumentos serão essenciais para o desenvolvimento da economia azul de Angola;
- Desenvolver uma estratégia de educação ambiental que reconheça as várias realidades do contexto educativo (métodos, abordagens e processos de educação, infra-estruturas e actores). Para tal é preciso reconhecer que nos centros urbanos, há o acesso à tecnologia, inovação, manuais e informação e nas zonas rurais, há menos acesso a essas condições, mas, em contrapartida, há um conhecimento mais profundo da realidade e das dificuldades relativas aos problemas ambientais actuais;
- Abordar, de forma mais rigorosa, a protecção para aquela que é conhecida como a Torre de Água das Terras Altas de Angola, particularmente as nascentes dos principais rios na paisagem de Lisima e o seu contributo não apenas para a disponibilidade hídrica para Angola, mas também para os países vizinhos das bacias do Cubango-Okavango e Zambeze. Para tal deve-se reforçar o papel de Angola na geopolítica da região e assegurar uma maior participação dos países vizinhos na disponibilização de fundos para a protecção destes recursos, e sobretudo, no desenvolvimento de um programa de protecção e gestão sustentável das nascentes;
- Desenvolver um geoportal de informação que permita uma gestão adequada de dados de forma centralizada, particularmente sobre dados geoespaciais espalhados por várias instituições, de modo a disponibilizar, de forma gratuita e actualizada, informação relevante para a tomada de decisão informada e para o cumprimento dos desígnios da legislação sobre o desenvolvimento de planos directores.
- Melhorar a participação de Angola no cumprimento dos requisitos de um conjunto de Acordos Multilaterais de Ambiente dos quais Angola é signatária, particularmente aqueles cuja avaliação da sua implementação é deficiente e por isso não permite compreender o cumprimento dos compromissos; avaliar as oportunidades de financiamento e parcerias, e apoiar na elaboração de relatórios e propostas de projectos.
- Definir metas concretas e realistas para a criação de áreas de conservação ambiental terrestres e marinhas de forma a aumentar a rede de áreas de conservação e proteger biomas, espécies e paisagens actualmente sem um adequado grau de protecção, incluindo a expansão da zona do Kavango-Zambezi para incluir as nascentes do Cubango e do Zambezi.

- Desenvolver acções de investigação e projectos que contribuam para a melhoria dos índices de activos humanos e de vulnerabilidade económica, reconhecendo a governança ambiental como uma importante ferramenta de tomada de decisão que permita a gestão sustentável dos recursos naturais.