No espaço de uma semana, este é o segundo estado americano - o primeiro foi a Califórnia - que corta laços com o banco, desde que, no início do mês, a Wells Fargo admitiu publicamente que milhares de funcionários seus abriram milhões de contas em nome de clientes, à revelia destes, para cumprirem objectivos de vendas.

O escândalo da criação de contas sem conhecimento dos clientes, segundo a agência Reuters, abrange milhares de proprietários de pequenas empresas e inúmeros consumidores normais e teve como consequência imediata a demissão de 5.300 funcionários que, segundo o Ministério Público de Los Angeles, estarão envolvidos na fraude.

Os números desta mega fraude, pressionada pelas metas agressivas de vendas de produtos e serviços, surpreendem pela sua dimensão e pelo modo como as operações passaram despercebidas durante tanto tempo.

Ao todo, os funcionários do banco terão criado mais de dois milhões de contas e cartões de crédito sem o conhecimento dos clientes, desde 2011. O dinheiro era transferido da conta dos clientes sem qualquer permissão. Cartões de crédito eram enviados e activados, assim como senhas eram criadas sem o conhecimento das pessoas. Em muitos casos, os funcionários criavam falsos endereços de e-mail para habilitar o acesso de clientes a serviços bancários pela internet.

Um gigantesco jogo denunciado, em 2013, no decurso de uma investigação do jornal «The Los Angeles Times», mas que só foi travado três anos depois.

O banco foi multado em 185 milhões pela fraude e o presidente executivo da Wells Fargo, John Stumpf, sossegou os clientes com um comunicado irónico.

"Estamos a eliminar as metas de vendas de produtos porque queremos ter a certeza absoluta da confiança dos nossos clientes de que os nossos serviços são sempre focados nos seus interesses". Ah, pois!

Em matéria de bancos, não é só nos EUA que os clientes têm razões para sobressalto. As notícias que sopram da Alemanha não auguram bons ventos e ameaçam tempestade, por causa das contas do Deutsche Bank, o maior banco alemão e uma das maiores instituições financeiras do mundo.

Fundado em 1870, em Berlim, para promover e facilitar as relações comerciais entre a Alemanha e os mercados internacionais, o Deutsche Bank dedicou-se mais, nas últimas décadas, a operações especulativas e, como resultado, acumula perdas gigantescas e perde prestígio.

As especulações em torno dos problemas do Deustsche há muito que circulam no mercado financeiro, mas sempre em surdina.

Esta semana, o ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, rompeu o silêncio e criticou a estratégia de "dirigentes irresponsáveis" do Deutsche, depois de o banco anunciar um plano de reestruturação, que prevê o encerramento de cerca de 200 das 1.827 filiais que tem no país, até 2020, e a redução de mais de nove mil postos de trabalho a nível mundial, num total de 100 mil funcionários nos 73 países onde está representado.

Na semana passada, o CEO do banco tentou sacudir a água do capote e culpar os especuladores por empurrarem o preço das acções do Deutsche Bank para níveis baixos de recorde.

Mas o ministro das Finanças alemão recusou cair na mistificação. "Não sei se chore ou se ria ao ver um banco que fez da especulação um modelo de negócio colocar-se agora na posição de vítima", comentou Sigmar Gabriel, líder dos sociais-democratas, que governam o país em coligação com os conservadores da chanceler alemã Angela Merkel.

No olho do furacão está o facto de o Deutsche Bank, antes do início da crise financeira de 2007/2008, ter vendido a investidores empréstimos hipotecários, que são créditos convertidos em produtos financeiros, sabendo que eram tóxicos.

E, na semana passada, as acções do banco despenharam, face aos rumores de que o Estado alemão recusa conceder qualquer ajuda, depois de o Departamento de Justiça dos EUA anunciar a aplicação de uma multa de 14 mil milhões de dólares para saldar o litígio desencadeado no início da crise financeira de 2008.

Depois do Lehman Brothers, agora é a vez do de um banco alemão fazer estremecer o sistema financeiro global. Até que haja alguém que ponha freio ao poder excomunhal da banca.