Antes de mais será preciso dar nota de duas questões prévias fundamentais. Primeiro, o carácter rotativo da presidência da União Africana, sendo meramente simbólico, enquadra-se no novo contexto de disputas e forte tensões geopolíticas e económicas, em que a luta por esferas de influência, território e recursos minerais críticos, principalmente por parte dos EUA, China, União Europeia, Rússia e ouros actores como Turquia, países árabes e Israel, com as inerentes consequências. Segundo, não se pode ignorar o facto de a presidência angolana querer emprestar um protagonismo político particular, face ao dilema da própria sucessão presidencial na liderança do MPLA, partido governante em Angola há cinco décadas, na antecâmara do pleito eleitoral de 2027. A eleição de João Lourenço, após o fim do seu mandato, como presidente em exercício do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, Agência de Desenvolvimento Pan-Africana, só veio confirmar a suspeição de que as ambições políticas do líder do "partido dos camaradas" parecem não coincidir tanto no plano interno como externo, com o fim do seu mandato enquanto Presidente de Angola. Mas isto são contas de outro rosário, como se diz.

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