Segundo os Serviços de Informação da Presidência da República, durante a visita, de algumas horas, está previsto um encontro entre João Lourenço e o homólogo congolês, Félix Tshisekedi, para abordar questões de interesse comum.

A deslocação do Chefe de Estado enquadra-se nos esforços de reforço da cooperação regional e do desenvolvimento do Corredor do Lobito, importante plataforma de ligação entre Angola, RDC e Zâmbia.

O acordo está relacionado com o projecto de reabilitação e modernização da linha ferroviária Dilolo-Sakania, na RDC, avaliado em mais de 1,2 mil milhões de dólares. A infra-estrutura estende-se por mais de mil quilómetros, ligando a região fronteiriça de Dilolo, junto de Angola, a Sakania, na fronteira com a Zâmbia, passando por importantes centros mineiros e industriais do país, incluindo Kolwezi e Lubumbashi.

O projecto prevê a reabilitação, modernização, exploração e manutenção da linha ferroviária, considerada estratégica para reforçar a ligação entre as regiões mineiras da RDC e a rede ferroviária que conduz ao Porto do Lobito.

A iniciativa insere-se igualmente no processo de expansão do Corredor do Lobito, uma rota logística que liga o Porto do Lobito às regiões mineiras da RDC e da Zâmbia e que procura reforçar o transporte ferroviário, o comércio regional e o escoamento de minerais.

Em Dezembro de 2025, a Corporação Financeira Internacional para o Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) anunciou uma carta de interesse com a Mota-Engil Africa para apoiar o projecto ferroviário Dilolo-Sakania, com possibilidade de financiamento de até mil milhões de dólares, sujeito às análises e aprovações necessárias.

O Banco Mundial também identifica a ligação ferroviária Dilolo-Tenke-Sakania como um projecto prioritário e refere uma solicitação de 500 milhões de dólares de financiamento da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) para a infra-estrutura ferroviária principal, prevendo-se o co-financiamento de outros parceiros internacionais.

No lado angolano, a Lobito Atlantic Railway (LAR) opera, ao abrigo de uma concessão, a ligação ferroviária entre o Porto do Lobito e Luau, na fronteira com a RDC. A operação da LAR integra-se na componente angolana do Corredor do Lobito, mas não corresponde à gestão de todo o corredor ou da linha Dilolo-Sakania.

A ligação entre as infra-estruturas ferroviárias de Angola e da RDC é considerada fundamental para o reforço da conectividade do Corredor do Lobito e para a criação de uma rota alternativa de transporte de minerais e outras mercadorias entre o interior da África Central e a costa atlântica.

A visita de João Lourenço a Kinshasa ocorre, assim, num contexto de aprofundamento da cooperação entre Angola e a RDC e de esforços para consolidar o Corredor do Lobito como uma das principais plataformas logísticas e comerciais da região.