Este documento, divulgado no âmbito da 81ª Assembleia-Geral da ONU, a decorrer em Nova Iorque, EUA, deixa em evidência a fragilidade das capacidades dos países em desenvolvimento para prover o apoio mínimo para as suas populações na área da saúde.
O estudo analisa com detalhe as consequências da decisão do Presidente Donald Trump de eliminar o financiamento dos programas da USAID, a agência norte-americana de apoio ao desenvolvimento internacional.
Mas não deixa de se focar igualmente no rasto trágico da Covid-19 e das consequências crescentes do aumento generalizado do custo de vida para as geografias mais desfavorecidas, como a africana, que contribuem fortemente para esta "nova urgência".
Com este documento, a Accra Reset, que serve de montra às inquietações do Presidente ganês, procura mostrar a urgência de olhar seriamente para este problema, e essencialmente, invectivar os países africanos a pensar na construção de alternativas próprias ao invés de manterem uma dependência do exterior que não apresenta garantias de continuidade.
Ou seja, através deste documento, o Presidente John Dramani Mahama expõe a sua visão do problema e as soluções que preconiza, desde logo empurrar África e as restantes geografias em desenvolvimento a criarem e robustecerem os seus sistemas nacionais de saúde.
E este relatório dá um exemplo claro em como as coisas estão muito longe de oferecerem as garantias mínimas de capacidade de resposta a situação de emergência, com a exposição do tremendo défice na produção de vacinas.
África produz menos de 1% das vacinas que precisa anualmente apesar de representar 25% da carga global gerada pelas doenças em todo o mundo que podem ser solucionadas através de campanhas de vacinação.
Em suma, o que este documento visa é alertar os países do Sul Global que ficarem dependentes de apoios externos ou organizações internacionais geridas por países terceiros podem e são sempre confrontados com situações como a actual, onde a decisão do Presidente norte-americano está a espalhar o caos sanitário em África.
E fica ainda outra advertência: se os países africanos não se adaptarem rapidamente, caso venha a ocorrer, como está "previsto", até porque na AG da ONU um painel de discussão lateral é precisamente esse, uma nova pandemia, as consequências hoje seriam, por exemplo, comparadas com a da Covid, muito mais catastróficas.
Outra forma de perceber este alerta é quando o documento recorda que com o fim da USAID, estas geografias viram esfumar-se mais de 28 mil trabalhadores da área da saúde que eram pagos pelos EUA num valor anual de 200 milhões USD, isto, depois de entre 2021 e 2025, o financiamento externo já se ter contraído mais de 70%.
Um dos patamares mais afectados foi o do combate ao HIV Sida em todo o mundo, sendo um exemplo dramático o fim do apoio ao Plano Global de Emergência (Pepfar) criado para a África do Sul.
Com essa saída, o resultado foi o desaparecimento de 400 milhões USD anuais de ajuda, provocando o fecho de centenas de clínicas que assistiam mais de 1,4 milhões de doentes na África do Sul, que ficam se apoio e que podem gerar novos focos de disseminação da infecção não apenas neste país.
