A quantidade do produto foi retirada clandestinamente de entre 50 mil toneladas de fertilizantes, que alegadamente seria para apoiar os agricultores daquela circunscrição.

O Novo Jornal soube que as autoridades suspeitam de que há envolvimento de alguns funcionários do Porto do Lobito e de trabalhadores de uma empresa de transporte de mercadorias, ali prestadora de serviços.

Mediante estas suspeitas, diligências estão a decorrer para localizar os demais envolvidos e apurar a veracidade dos factos.

Os homens, 42 e 48 anos, foram detidos numa operação após denúncia: trata-se do motorista do camião que transportava a mercadoria, enquanto o segundo está a ser apontado como mentor do esquema, que se recusa a falar dos demais elementos envolvidos.

O suposto indivíduo que terá arquitectado o plano, disse que recebeu 400 mil kwanzas para acompanhar a mercadoria, certificando-se que ela chegaria intacta ao destino combinado.

Já o motorista, em declarações à Polícia Nacional, em Benguela, confessou ter recebido mais de um milhão kwanzas para retirar mais de 10 toneladas de fertilizantes nas instalações do porto, para uma determinada localidade.

Questionado sobre outras pessoas envolvidas no esquema, disse apenas que foi contratado por via telefónica por uma mulher e um homem, para transportar o produto em troca de dinheiro.

Recorde-se que, devido aos conflitos no Golfo Pérsico, de onde saem alguns dos compostos mais relevantes para a produção de fertilizantes, fabricados no Catar, e na Ucrânia, que retirou do mercado milhões de toneladas das chamadas terras negras do sul, a partir das quais se produz fertilizantes de diversos tipos, esta "mercadoria" subiu substancialmente de preço nos mercados internacionais e passou a ser fortemente cobiçada para contrabando e tráfico.