Associada à falta de água há meses, está agora a falta de energia eléctrica da rede pública, que, por sinal, é fornecida há meio século através de grupos geradores.

Os grupos geradores, tanto para a captação como para o centro de tratamento de água, foram alegadamente vandalizados por indivíduos desconhecidos, o que impossibilita o governo local de fornecer água corrente às populações.

Sem água corrente, a população e as instituições públicas e privadas recorrem a furos artesanais feitos no solo, muitos dos quais equipados com bombas, para garantir o abastecimento.

Em muitas localidades, a população cava profundamente a terra mas não encontra água no subsolo, o que a leva a procurar e escavar em localidades vizinhas.

Antonico Mabaya, Mateus Silva, Serafina Constância e muitos outros munícipes do Andulo contaram ao Novo Jornal que, anteriormente, a distribuição de água era feita de forma normal, o que aliviava as famílias, mas, desde que, há um ano, deixou de jorrar água nas torneiras, muitos negócios foram encerrados e a população encontrou meios para sobreviver através dos furos artesanais no solo, de onde extrai água para consumo.

Questionados sobre se o governo local tem feito distribuição de água através de camiões-cisterna, os munícipes dizem nunca os ter visto.

Mamadoô Daysketa, empresário estrangeiro que investiu no Andulo no ramo da panificação, assegurou que teve de encerrar a padaria devido à escassez de água e à dificuldade para adquirir combustível para o gerador.

Segundo este empresário, tal como ele, muitos preferiram trocar de negócio e outros desistiram do município.

Entretanto, a electricidade no Andulo nunca foi fornecida pela rede pública desde a sua existência como município. Há cerca de 55 anos que o fornecimento é feito através de energia térmica, dependente de grupos geradores. Mas, nos últimos meses, segundo a população, o fornecimento deixou de ser regular e passou a ser apenas por cinco horas, ou seja, das 18:00 às 22:00, de segunda-feira a domingo.

Desde o último sábado, dia 19, toda a extensão territorial do município do Andulo está privada do fornecimento de energia eléctrica, por falta de combustível no gerador, o que deixa o município numa escuridão absoluta e tenebrosa durante a noite.

O Novo Jornal deslocou-se à administração municipal do Andulo, onde conversou com o administrador municipal, Justino Kassoma Covi.

Segundo o responsável do município histórico da província do Bié, "tão logo haja disponibilidade de combustível, o Governo não irá poupar esforços no sentido de devolver a energia à população, que muito necessita dela".

Segundo Justino Kassoma Covi, para ultrapassar de vez este grave problema no Andulo, o Governo central, através do Ministério da Energia e Águas, está a construir uma subestação eléctrica para o município que, quando concluídos os trabalhos, permitirá concretizar o sonho dos munícipes e da administração local, pois deixarão de depender dos geradores.

Conforme o responsável, há garantias do empreiteiro de que, nos próximos meses, começarão os trabalhos de ligação da linha de transporte de energia da cidade do Cuito para o Andulo.

Justino Kassoma Covi assegurou ser este um sinal de esperança e de alento para o futuro no âmbito da electricidade no município do Andulo.

Questionado sobre quanto o município gasta em termos de combustível, o responsável disse não ser da competência da administração o encargo com o combustível, mas sim da PRODEL e da ENDE.

Quanto ao fornecimento de água, o responsável reconheceu que, de momento, o Andulo sobrevive através dos furos artesanais para obtenção de água, mas que estão a colmatar este problema.

Segundo o administrador, esses furos têm ajudado a população e as instituições públicas e privadas a suprir a necessidade de água.

Justino Kassoma Covi confirmou que não há distribuição de água por camião-cisterna à população, porque o município apenas dispõe de um camião-cisterna, que serve para a irrigação dos espaços verdes no Andulo.

Com 285.306 habitantes, segundo os dados do Censo 2024, o município está situado no planalto central de Angola, numa região tradicionalmente ligada à população Ovimbundu. A história contemporânea do Andulo está fortemente ligada à agricultura, à administração colonial portuguesa e aos conflitos político-militares que marcaram Angola.