Apesar de ter concluído assim, o mesmo tribunal decidiu desvalorizar as declarações da principal testemunha no processo, o PCA da AGT, José Leiria, por entender que este mentiu ao tribunal para ilibar a maioria dos arguidos, tal como já havia afirmado o Ministério Público (MP) em sede das alegações.
O tribunal entende que o presidente do conselho de administração da AGT se contradisse nos seus depoimentos em sede do julgamento e, por isso, optou por não valorizar na totalidade as suas declarações.
Conforme o tribunal, o depoimento válido de José Leiria são as declarações que foram prestadas em sede da instrução contraditória e não as feitas no decurso do julgamento.
Entretanto, os advogados de defesa dos arguidos condenados asseguram que o tribunal andou mal neste quesito e realçam que a AGT só declarou a verdade dos factos.
Para os advogados não faz sentido a AGT fazer a queixa de fraude, quando, na verdade, para o MP o PCA queria defender os seus funcionários.
Sérgio Raimundo, um dos advogados no processo, disse ao Novo Jornal ser muito estranho o próprio tribunal desvalorizar as declarações do PCA da AGT.
Para Sérgio Raimundo, se de facto José Leiria quisesse proteger os arguidos não teria feito a denúncia junto das autoridades.
Segundo este causídico, o MP é quem mentiu quando afirmou que os valores eram acima de 100 mil milhões kz.
Conforme Sérgio Raimundo, o MP devia explicar ao tribunal onde foi buscar os valores de mais de 100 mil milhões kz, que o tribunal deu como não provado.
Da sentença lida esta quinta-feira,19, mais de 20 arguidos foram condenados, quatro foram absolvidos e entidades colectivas, as empresas, foram multadas ao pagamento solidário de mais de 6 mil milhões kz.

