Cartazes com avisos em agências da EPASB, nos municípios de Benguela, Lobito, Catumbela, Baía Farta e Navegantes, e informes endereçados a mais de quinze instituições são as notas de destaque antes do 10 de Março, dia em que, como previsto, vai ser desligado o Sistema Integrado de Produção e Distribuição de Água.

À semelhança do que se verificou na última paralisação, quando sindicalistas denunciaram pressão da Polícia Nacional para a reposição da normalidade em unidades fabris e hospitais, os funcionários exigem o fim dos atrasos salariais, implementação do qualificador, subsídios e melhores condições laborais.

Só uma "garantia real" de solução dos principais pontos do caderno reivindicativo evita o que a Comissão Sindical, hoje, diz ser incontornável, até porque, como sublinha em nota distribuída à imprensa, "esgotaram os mecanismos de diálogo".

Ministério da Energia e Águas, Governo Provincial de Benguela, Administrações Municipais e Ministério do Interior são alguns dos organismos públicos informados sobre a primeira greve desde o arranque, em Janeiro de 2025, do projecto de reabilitação e operação assistida do Sistema de Distribuição de Água (Luhongo/Catumbela), a cargo da ACQUA.

Ora, é precisamente neste projecto, avaliado em 191.3 milhões de dólares norte-americanos, que reside um dos pontos de discórdia.

Conforme apurou o NJ, trabalhadores da EPASB transmitem a experiência profissional, nas áreas técnica e comercial, a colaboradores da ACQUA com salários muito acima dos seus.

Os ensinamentos servem de antecâmara para uma futura parceria público-privada no domínio da gestão comercial, assumida já, numa recente visita a Benguela, pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.

Na sua exposição, a Comissão Sindical da Empresa de Águas questiona o destino dos 8,5 mil milhões de Kwanzas da capitalização ocorrida entre 2022 e 2023 e reafirma que "a luta é justa, a dignidade não se negoceia".

Ao NJ, fonte ligada à direcção, abordada a propósito das alegações de "ausência de respostas concretas às legítimas reivindicações", sublinha que o Conselho de Administração quer dialogar, mas lembra que a Comissão Sindical exige a presença do Ministério da Energia e Águas.