O habeas corpus é uma medida judicial que visa a protecção da liberdade de locomoção do indivíduo, quando este se encontra ameaçado ou restringido de forma directa, ou indirecta.

Em sede de julgamento em que foi condenado a uma pena efectiva de prisão de 26 anos, ficou provado que o então oficial superior da polícia foi o mandante das mortes de dois irmãos na zona Verde, no território de Belas, onde era o responsável máximo da Polícia Nacional.

Segundo a fonte do Novo Jornal, o TRL aceitou o pedido de habeas corpus da defesa do condenado, Evandro Aragão, mas este só não saiu ainda da cadeia porque há outro documento, do foro militar, que está a impedir a sua libertação.

"Evandro tem um habeas corpus deferido pelo Tribunal da Relação, mas não saiu ainda da prisão porque há lá um documento do Tribunal Militar de Luanda que está a travar a sua saída", descreve a fonte, que solicitou anonimato.

Sobre o assunto, o Novo Jornal contactou os advogados dos familiares das vítimas, que não aceitarem prestar declarações por não terem sido notificados pelo tribunal a este respeito.

Natália Simões, mãe dos dois jovens mortos, pela polícia, a mando do então comandante, diz ter recebido a informação do TRL como um "tiro no peito" e clama, antecipadamente, por justiça.

Evandro Aragão foi julgado e condenado por mandar assassinar dois jovens, irmãos, na zona Verde, no Benfica, em Luanda, e cujos corpos foram atirados para um terreno baldio, no município de Belas, no mês de Fevereiro de 2023.

O ex-comandante foi também acusado de ter torturado uma das vítimas, antes de ordenar o seu assassinato pelos seus agentes, que disseram em tribunal que a ordem partiu do comandante Evandro Aragão.

Os demais agentes confessos dos crimes foram também condenados a dois anos e seis meses de prisão, tal como noticiou o Novo Jornal em Agosto do ano passado.