O aumento da criminalidade em Luanda, nos últimos meses, em alguns bairros da capital, tem tirado o sono a muitos cidadãos. No bairro Camacongo e no da Socola, os moradores dizem que a situação se tornou insuportável. Mesmo com as reclamações feitas à esquadra policial com vista ao reforço do patrulhamento, nada tem sido feito, o que agrava o sentimento de insegurança vivido pela população.
Pedro Manuel, morador do bairro Camacongo há mais de 10 anos, viu a sua casa ser invadida na semana passada por 15 indivíduos, todos encapuzados, cinco dos quais estavam armados.
"Eram por volta das 22h00, quando os gatunos invadiram a minha residência. Sem apresentarmos resistência, abrimos a porta, entraram e fizeram-nos reféns. Levaram a botija, os telemóveis e alguns valores e saíram", contou Pedro para acrescentar que não há um dia em que não ouçam relatos de assalto.
O morador estranha ainda a forma como um dos assaltantes se movimentou em casa dele. "Fiquei com impressão de que no meio deles havia um que conhecia as coordenadas da casa, porque sabia onde ficavam as coisas", justifica.
Por causa disso, os moradores têm de estar sempre alerta, ignorando o horário de dormir para qualquer eventualidade que surja. Uma senhora que preferiu o anonimato contou que, no caso dela, as coisas ocorreram de forma diferente. Como mostraram resistência ao abrir a porta aos meliantes, eles entraram pelo tecto e agrediram fisicamente o dono da casa.
"O meu pai não queria abrir a porta, então eles entraram pelo tecto, bateram no meu pai à nossa frente e pediram ao meu irmão mais velho que se despisse na presença de toda a família, isso assim não é bom", lamenta a jovem, que no momento da nossa reportagem se encontrava a acarretar água num dos fontenários do bairro.
De acordo com a cidadã, os pais nem chegaram a apresentar queixa à esquadra do bairro por causa do número de vezes em que se dirigiram àquela unidade, sem sucesso. "Nem nos demos ao trabalho de ir apresentar queixa à esquadra porque várias vezes fomos lá e as coisas continuam iguais. A própria esquadra há alguns meses também foi alvo de assalto, então os próprios polícias temem pela sua vida", lamenta.
Já Mingas Bernardo, de 23 anos de idade, residente no bairro da Socola, diz que por causa da onda de assaltos alguns jovens estão a tomar medidas para combater o crime, medidas estas que passam por perseguir os meliantes e torturarem-nos.
"Como sabemos que eles são muitos, ao fugirem, têm a tendência de se separarem. Então, nos organizamos e damos corrida aos que não estiverem armados e, se os apanhamos, fazemos justiça por mãos próprias, porque senão seremos vencidos pelos marginais e teremos que abandonar as nossas residências", disse, reconhecendo que que colocam as suas vidas em risco.

